O vexame protagonizado pelo Inter de Medina contra o Globo-RN
Eliminação que durou apenas 17 jogos na carreira de Medina pelo Inter e expôs dificuldades estruturais do time no início da temporada.
Foto: Talleres/Divulgação Em 3 de março de 2022, o Internacional caiu diante do Globo-RN por 2 a 0, em Ceará-Mirim, e deixou a Copa do Brasil logo na primeira fase. Bastava um empate para o Colorado seguir no torneio, mas o resultado adverso transformou a eliminação em um dos episódios mais vexatórios da história recente do clube.
Na época, o time potiguar competia na Série D do Campeonato Brasileiro e jamais tinha avançado além da fase inicial da Copa do Brasil em sua história. O revés logo no primeiro compromisso da competição escancarou problemas que acompanhariam o time gaúcho, então sob comando do uruguaio Alexander Medina, nas semanas seguintes.
Favorito no papel, o Inter contava com um elenco tecnicamente superior e havia tido dias de descanso para preparar a estratégia. Em campo, porém, nada disso apareceu: as jogadas não saíam, o time errava passes constantemente e pouco ameaçou André Zuba.
Falha do goleiro abriu as portas da humilhação
Aos 9 minutos do segundo tempo, o Globo-RN abriu o placar. Fernando Ceará cobrou uma falta rasteira que parecia inofensiva, mas o goleiro Daniel cometeu um erro incomum: a bola escapou por entre suas pernas e entrou na rede.
O gol colocou o time potiguar em vantagem e elevou a pressão sobre os gaúchos, que agora precisavam reagir para não serem eliminados.
Medina recorreu ao banco e lançou D’Alessandro, Caio Vidal e Kaíque Rocha na tentativa de reverter o resultado. As substituições, porém, não transformaram o desempenho colorado. O time gaúcho não conseguiu furar a marcação do Globo-RN com bolas aéreas e cruzamentos sem direção, suas únicas saídas diante da falta de criatividade.
As voltas que o futebol dá: Alexander “Cacique” Medina teve uma passagem curta e decepcionante pelo Internacional em 2022, durando apenas três meses e 17 jogos. Contratado sob a promessa de intensidade e futebol propositivo, o treinador não conseguiu dar consistência tática ao… pic.twitter.com/BL4d9VQoRS
— O Bairrista 🧉 (@O_Bairrista) 23 de outubro de 2026
Contra-ataque fatal selou a eliminação histórica
Aos 42 minutos do segundo tempo, veio o golpe definitivo. Rômulo ganhou da defesa na velocidade em um contra-ataque e finalizou na saída de Daniel, marcando o segundo gol e confirmando a classificação histórica do clube de Ceará-Mirim. A partir dali, o resultado estava definido, e restava apenas o apito final para oficializar o vexame.
Após a eliminação, Medina reconheceu ao site de origem que havia feito um jogo deficiente em todos os sentidos: atitude, parte ofensiva e defensiva. Segundo o veículo, o técnico afirmou que nada do que haviam treinado funcionou e assumiu integralmente a responsabilidade pelo fracasso.
Consequências que marcaram a gestão de Medina
O tropeço teve consequências além da tabela: o Inter perdeu a chance de receber a premiação da fase seguinte, e a pressão sobre Medina aumentou. O uruguaio somava pouco mais de 50 dias no comando do time e ainda buscava dar identidade a um elenco que parecia perdido em campo.
A passagem pelo Inter, iniciada no começo de 2022, seria breve: Medina comandaria apenas 17 partidas antes de ser demitido, com seis vitórias, seis empates e cinco derrotas.
A derrota ganhou peso porque o Gre-Nal seria disputado dias depois. O Colorado retornou a Porto Alegre sob forte desconfiança da torcida, enquanto o Globo-RN festejava uma das maiores conquistas de sua trajetória, com reflexos financeiros significativos para o clube potiguar.
A eliminação representou uma das maiores conquistas esportivas da trajetória do clube de Ceará-Mirim, mas simbolizou para o Inter o início de um período turbulento que expôs as dificuldades estruturais daquele começo de temporada.
Entre os momentos mais difíceis da passagem de Medina pelo Beira-Rio, está justamente essa derrota para o Globo. Pesaram ainda mais o fato de o Inter ter um elenco superior, a vantagem de precisar apenas do empate e a falta de reação depois de sofrer o gol, fatores que tornaram o resultado ainda mais difícil de engolir.
Quando estar tecnicamente superior não garante a classificação
O caso ilustra uma exceção importante ao senso comum do futebol: ter um elenco superior no papel não significa estar preparado para qualquer partida. O Internacional tinha jogadores claramente melhores que os do Globo-RN, havia treinado e tinha a vantagem do empate — e ainda assim foi eliminado.
Isso ocorre quando falham simultaneamente a execução tática (as jogadas não saem), a qualidade técnica em campo (o time erra passes constantemente) e a capacidade de reação após sofrer um gol. A superioridade teórica se dissolve quando esses elementos faltam.