Muricy relembrou amizade com Guerrinha
Guerrinha deixou um legado que orientou as decisões táticas de Muricy ao longo de sua carreira como técnico.
Reprodução / SporTV A morte de Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, fez Muricy Ramalho relembrar a amizade que os dois construíram quando o técnico comandou o Colorado, entre 2003 e 2005. Um conselho simples do cronista passou a orientar as decisões táticas de Muricy ao longo dos anos.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Muricy contou que a orientação de Guerrinha — colocar os melhores em campo quando surgisse uma dúvida — continuou a guiá-lo depois que deixou de treinar. Aos 70 anos, o jornalista faleceu nesta semana após complicações de uma infecção pulmonar. Seu trabalho foi além das crônicas que o tornaram conhecido.
O ensinamento que permaneceu
Muricy disse ao programa da Rádio Gaúcha que se dava muito bem com Guerrinha. Descrito por ele como um homem direto, que simplificava suas opiniões e ajudava as pessoas a entender o futebol. Segundo o ex-técnico, os dois continuaram a lembrar das conversas mesmo depois de Muricy deixar de treinar.
“Eu me dava muito bem com ele. Era um cara direto e que simplificava a sua opinião. Ele fazia as pessoas entenderem o futebol e era muito parecido comigo. Sempre que nos falávamos, mesmo depois de ser treinador, todas as vezes a gente lembrava das nossas conversas e da dica dele: ‘Muricy, põe os melhores’. E quando eu tinha dúvida, eu falava com o meu auxiliar e lembrava do Guerrinha. ‘Quer saber, vou botar quem é melhor mesmo’. Não vou ficar com tática para cá ou para lá”, iniciou Muricy.
A filosofia transmitida pelo cronista se mostrou tão valiosa que orientou os momentos de indefinição durante a gestão de Muricy no Inter e posteriormente em outras equipes. O conselho refletia a visão de um narrador que entendia a modalidade em sua essência — sem complexidade desnecessária, apenas qualidade de execução.
Internacional e Grêmio prestaram homenagem ao cronista colorado. Na quarta-feira, durante o confronto entre Colorado e Fluminense pelo Campeonato Brasileiro, a equipe gaúcha usou uma tarja preta no braço em sinal de luto. O clube rival de Porto Alegre também fez um minuto de silêncio antes do duelo contra o Athletico, na Arena.
“Então, eu simplificava. Quando a gente se encontrava, a gente lembrava disso. Muitas vezes a gente acha o futebol complexo, mas não é. Ele era um cara acima da média no que falava.”
Adroaldo Guerra Filho começou a carreira cobrindo turfe e corridas de cavalo. Passou por diversos veículos antes de retornar ao Grupo RBS, em 1983, para escrever sobre o tema em Zero Hora. Quando a cobertura especializada acabou, migrou para o futebol, em 1993, com foco no Internacional.
A trajetória revela décadas de observação do esporte, iniciadas em uma área diferente do futebol. Guerrinha se consolidou no rádio em 1999, quando a Rádio Gaúcha lançou o programa “Falcão na Gaúcha” com o ex-jogador Paulo Roberto Falcão. Depois que Falcão deixou a emissora, em 2014, Guerrinha comandou o “Paredão do Guerrinha”, que manteve o formato anterior.
Também foi colunista do Diário Gaúcho a partir de 2000 e participou regularmente do “Sala de Redação” desde 2004, tornando-se um dos quadros mais queridos da audiência. Um livro reuniu mais de 250 de suas frases e registrou como seu estilo se consolidou ao longo de décadas, muito antes da popularização das redes sociais.