Agora é oficial, Inter sofre seu terceiro transferban
Com três restrições em vigor, o Inter fica impossibilitado de fazer contratações enquanto não quitar seus débitos milionários.
Créditos: Internacional/Reprodução O Inter recebeu da Fifa a notificação de sua terceira punição de transferência, embora o bloqueio ainda não tenha sido publicado no site da entidade. A sanção impede o clube de registrar novos jogadores e resulta de débitos contratuais não honrados, desta vez envolvendo o volante ganês Dansoman Wise.
Wise chegou a Porto Alegre por empréstimo e atuou nas categorias de base e em cinco partidas da equipe profissional. Foram três jogos do Gauchão, contra Novo Hamburgo, Monsoon e Ypiranga, além do duelo com o Brasil de Pelotas na Recopa Gaúcha e dos minutos finais da goleada sobre o Vasco, em maio, pelo Brasileirão.
Na sequência, o Colorado formalizou a compra do atleta por 140 mil euros (R$ 845 mil), divididos em oito parcelas de 17,5 mil euros.
Débito que levou ao terceiro transferban
Apenas a primeira parcela foi quitada. As cinco parcelas vencidas em junho e outubro do ano passado e em fevereiro, junho e outubro deste ano continuam atrasadas e somam mais de R$ 500 mil. Wise cobra a dívida na Justiça, e a Fifa aplicou a sanção.
Este é o terceiro transfer ban do Inter na história. O primeiro envolveu o zagueiro Juninho, com o Midtjylland, da Dinamarca, cobrando 1,5 milhão de euros (R$ 8,4 milhões) por débitos não pagos. O segundo decorreu de pendências com o lateral Ramon, atualmente no Vitória, cuja transferência pelo Olympiakos grego custou aproximadamente R$ 9 milhões ao Inter.
Situação geral de endividamento
Na semana anterior, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF também havia imposto um bloqueio preventivo ao Inter, por decisão da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol.
A restrição foi aplicada depois que o clube solicitou, em setembro, um Evento de Insolvência para estruturar um plano de quitação coletiva com credores, entre eles clubes, agentes e atletas.
O valor total de débitos reconhecidos neste plano alcança R$ 31 milhões. O Inter também reconheceu compromissos pendentes com Racing pela compra de Carbonero, comprometendo-se em resolver a situação, e enfrenta cobrança do Athletico-Pr por valores da negociação de Kaíque Rocha, zagueiro que disputou apenas 14 minutos pela equipe colorada.
O que o acúmulo de dívidas significa para o Inter na prática
Com três restrições em vigor — dois transfer bans da Fifa e um bloqueio da Anresf —, o Inter enfrenta um cenário em que qualquer contratação se torna difícil. Mesmo que venda jogadores e gere receita, precisará comprovar que consegue pagar salários sem ultrapassar os limites mensais.
O clube também tem cobranças pendentes que ainda não geraram transfer bans, como as do Athletico-PR por Kaíque Rocha e do Racing por Carbonero, mas que podem resultar em novas punições.
Na prática, o Inter está travado não apenas pelas sanções já aplicadas, mas também pela ameaça de novas restrições enquanto não quitar seus débitos. O clube precisa priorizar o pagamento de salários de jogadores e funcionários para evitar crises imediatas, mesmo com dívidas de longo prazo pendentes.
Quando o transfer ban pode ser retirado antes do prazo
Embora a Fifa aplique o bloqueio normalmente por três janelas de transferências. Existe uma porta de saída: se o Inter resolver a dívida que originou a punição, a restrição pode ser removida antes do período se encerrar.
No caso do lateral Ramon e do zagueiro Juninho, as punições poderiam ter sido suspensas se o clube tivesse quitado os débitos com o Olympiakos e o Midtjylland respectivamente. No entanto, isso exige que o Inter tenha recursos suficientes para fazer o pagamento integral ou negociar um acordo que a Fifa aceite.
Qual é a diferença entre o bloqueio da Anresf e o transfer ban da Fifa?
O transfer ban da Fifa é uma proibição automática e total: o Inter simplesmente não pode registrar nenhum jogador enquanto a punição vigora. Já o bloqueio preventivo da Anresf funciona como uma trava que exige autorização — o Inter pode tentar registrar jogadores, mas precisa comprovar à agência que consegue pagar sem desrespeitar limites de receita, gasto e folha salarial.
Por que a Anresf aplicou essa punição agora
A Anresf é um órgão novo no futebol brasileiro, criado pela CBF para fiscalizar fair play financeiro. Seu regulamento entrou em vigor em janeiro de 2026. O bloqueio preventivo do Inter é apenas o segundo caso de aplicação desse tipo de punição no país — o Grêmio foi o primeiro, em agosto.
A medida foi acionada porque o Inter entrou em “Evento de Insolvência”, um processo previsto no regulamento para clubes que reconhecem não conseguir pagar suas dívidas imediatamente e precisam reestruturar seus débitos com credores através de um plano de parcelamento coletivo.