Ex-presidente do Inter, Vitório Piffero foi absolvido na Justiça
Piffero segue condenado em outras ações judiciais da mesma operação, incluindo estelionato e formação de quadrilha.
Divulgação / Internacional Vitório Piffero, ex-presidente do Sport Club Internacional, foi absolvido em processo de lavagem de dinheiro relacionado a uma agência de viagens. Os desembargadores do Tribunal de Justiça decidiram nesta quinta-feira (15) reverter a condenação anterior, de 12 anos e três meses, e a esposa de Piffero também foi absolvida no julgamento.
Os desembargadores mantiveram as condenações de Pedro Affatato, ex-vice de finanças, e de três empresários do setor de turismo, mas reduziram as penas. Os quatro continuam obrigados a cumprir pena de prisão em regime fechado.
🇮🇩ABSOLVIDO
— Guaíba Esporte (@GuaibaEsporte) 16 de outubro de 2026
Ex-presidente do Inter, Vitório Piffero foi absolvido, nesta quinta-feira (15), do crime estelionato. Além dele, sua esposa, também foi absolvida. pic.twitter.com/zYiqenI6h2
A operação que investigou o desvio
O Ministério Público denunciou os ex-dirigentes em 2021, no âmbito da Operação Rebote, iniciada em 2018. A acusação apontava que eles se aproveitaram de desvios de recursos do clube e obtiveram vantagens pessoais, como viagens internacionais. E um veículo, por meio de transações com empresas de turismo ligadas ao Internacional.
Na primeira condenação, em 2024, Piffero e Affatato foram punidos por estelionato e formação de quadrilha. O ex-presidente recebeu pena de 10 anos, e affatato foi condenado a 19 anos e oito meses, também por lavagem de dinheiro.
Em outro desdobramento da operação, Marcelo Castro, ex-vice-presidente jurídico do Inter, foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. A investigação apura irregularidades da gestão entre 2015 e 2016.
Como funcionava o esquema de desvio através das empresas de turismo
Os ex-dirigentes usavam a relação do clube com empresas de transporte e turismo para disfarçar o desvio de recursos. Eles contratavam essas empresas e, em troca, recebiam benefícios pessoais apresentados como serviços legítimos do clube.
O dinheiro saía dos cofres do Internacional e pagava viagens, cruzeiros e outros gastos particulares dos envolvidos, e as transações comerciais serviam de cobertura para o crime.
O rombo total e o rebaixamento do clube
As irregularidades investigadas pela Operação Rebote causaram prejuízo superior a R$ 13 milhões aos cofres do Sport Club Internacional. O desvio ocorreu em um período crítico da gestão e afetou diretamente a capacidade financeira do clube. Ao fim da gestão Piffero, o Internacional foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro, consequência esportiva associada às irregularidades administrativas.
Quando a absolvição não vale para todos
A decisão em segunda instância vale apenas para o processo de lavagem de dinheiro relacionado à agência de viagens. Piffero segue condenado em outras ações judiciais resultantes da mesma operação, incluindo condenações por estelionato e formação de quadrilha. A decisão dos desembargadores, portanto, não encerra todas as pendências legais do ex-presidente com a Justiça.