Você sabia? Guerrinha começou carreira em outro esporte
Guerrinha faleceu nesta quarta-feira aos 70 anos, deixando um legado de mais de 40 anos no jornalismo esportivo gaúcho.
Reprodução / RBS Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha que marcou gerações como comentarista de futebol no “Sala de Redação” e na Rádio Gaúcha, começou no jornalismo escrevendo sobre corridas de cavalo. Falecido nesta quarta-feira (27), aos 70 anos, o colorado deixa um legado que atravessou décadas no esporte gaúcho, mas nasceu longe dos gramados.
Desde a infância, frequentava o Jockey Clube, no bairro Cristal, em Porto Alegre, incentivado pelo pai, também radialista. A revista “Turfe de Bolso” abriu as portas de sua carreira. Depois, ele passou pelo jornal “Hoje”, pela extinta Folha da Manhã e pelo Correio do Povo, antes de chegar à Zero Hora em 1983.
O acaso que mudou tudo
Quando a Zero Hora decidiu encerrar seu espaço dedicado ao turfe, Guerrinha já se preparava para deixar a redação. O colega David Coimbra perguntou se ele fazia futebol, e Guerrinha respondeu, em tom de humor, que não entendia nada de turfe, mas entendia muito de futebol.
A mudança se consolidou rapidamente. Guerrinha tornou-se setorista da Zero Hora e passou a acompanhar Grêmio e Inter, dois clubes que ocupariam sua carreira daí em diante. Em 2000, tornou-se editor de Esportes do recém-lançado Diário Gaúcho e assinou a coluna “Guerra Total”, que o acompanhou até seus últimos dias.
Consagração na televisão e rádio
A televisão chegou em 2002, quando entrou como comentarista do “Lance Final” na RBS TV, ao lado do mediador Pedro Ernesto Denardin e do gremista Luiz Carlos Silveira Martins. Ali, Guerrinha tornou pública a torcida colorada que nunca escondeu.
No rádio, começou em 1999 no “Falcão na Gaúcha”, ao lado do ex-camisa 5 do Inter, com Romário como entrevistado na estreia. Entrou no “Sala de Redação” como substituto de férias de Kenny Braga e permaneceu no programa por mais de 25 anos, como o integrante mais antigo da formação.
Também cobriu transmissões dos clássicos Gre-Nal. Ser colorado declarado não foi obstáculo: sua experiência no turfe o ensinou a manter frieza nas análises.
A paixão que não morreu
Mesmo consolidado no futebol, Guerrinha nunca abandonou completamente o turfe. Frequentador assíduo do Jockey Clube de Porto Alegre, manteve-se fiel à paixão original. Foi também apresentador do “Paredão do Guerrinha”, programa que comandou por mais de 10 anos na Rádio Gaúcha, onde refletiu sobre seus 40 anos no Grupo RBS.
Guerrinha estava internado no Instituto de Cardiologia quando faleceu, após uma infecção pulmonar evoluir para um quadro generalizado. Sua trajetória começou nas arquibancadas do Jockey Clube e se consolidou nos estúdios e nas bancadas do rádio e da televisão gaúcha.
O turfe como porta de entrada invisível no jornalismo
Quando Guerrinha começou no jornal “Hoje”, ainda era estudante de Jornalismo na PUCRS. Na época, o turfe não era um tema marginal, mas uma paixão de gente importante. Breno Caldas, dono do Correio do Povo, onde Guerrinha trabalhou depois, era aficionado por corridas de cavalo e garantia uma página inteira diária para as provas. Um jovem jornalista interessado em hipismo tinha, assim, espaço para desenvolver a carreira. Esse espaço desapareceu quando o interesse editorial diminuiu.