Após ter venda reprovada por clube argentino, Aguirre renasceu no Internacional
Aguirre agora é peça central no sistema ofensivo de Eduardo Baptista na luta do Internacional contra o rebaixamento.
Ricardo Duarte / Internacional Depois de ser reprovado no exame médico do Rosario Central, Aguirre encontrou no Internacional uma chance de reconstruir sua trajetória. A chegada de Eduardo Baptista transformou os alas em peças fundamentais do ataque colorado, e o lateral argentino, que quase deixou o clube, agora é peça central desse sistema na luta contra o rebaixamento.
A vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo consolidou a confiança do técnico no jogador. No lance do primeiro gol, Aguirre cruzou pela direita, Marçal tentou cortar, mas desviou errado, e Matheus Bahia finalizou pela esquerda. O argentino também quase marcou ao encobrir Gabriel Batista, mas a jogada foi anulada por uma falta anterior.
Do quase adeus à transformação tática
A trajetória recente de Aguirre no Inter é marcada por contrastes. Em 2025, o lateral falhou na goleada por 5 a 1 para o Vasco: aos 3 minutos, foi desarmado por Andrés Gómez, que invadiu a área e abriu o placar. Substituído aos 14 minutos por Ricardo Mathias, Aguirre chorou no banco de reservas enquanto o Internacional sofria a goleada.
Sem espaço no esquema anterior, em que Vitinho se improvisava na linha de cinco defensores, Aguirre passou a considerar uma saída. O Rosario Central ofereceu a possibilidade de voltar à Argentina, mas o negócio fracassou: o clube não o aprovou no exame médico. Com essa alternativa encerrada, ele retornou ao Beira-Rio para reconstruir sua história no Internacional.
Baptista devolve confiança e redesenha o ataque
A mudança começou com a saída de Ramón Díaz, e Abel Braga chegou como novo técnico e, na apresentação ao elenco, chamou Aguirre diante dos companheiros e demonstrou confiança no jogador. Depois, Eduardo Baptista passou a tratá-lo como peça ideal para seu sistema ofensivo, centrado nos alas.
A evolução do argentino reforça uma das principais transformações do Inter sob Baptista: os alas deixaram de ser coadjuvantes e passaram a participar da construção e das finalizações. Na luta contra o rebaixamento, esse novo papel pode fazer diferença.
Golaço do #Inter
— Últimas do Inter! (@ultimasinter) 24 de outubro de 2026
A jogada do Aguirre foi putaria. Ainda bem que não saiu do Inter pic.twitter.com/g9GwsqOmzc
Por que os alas conseguem fazer diferença defensiva e ofensiva ao mesmo tempo
No sistema de Eduardo Baptista, os alas não apenas sobem e descem pela lateral: na fase ofensiva, atuam como pontas sem abandonar a estrutura defensiva do time. Isso é possível porque o técnico aproveita a força e a capacidade física dos jogadores para equilibrar as duas tarefas.
Aguirre e Matheus Bahia, por exemplo, conseguem marcar na defesa e aparecer nas finalizações sem deixar a equipe descoberta.
Para isso, a dupla de volantes, Villagra e Thiago Maia, faz a cobertura defensiva do meio-campo, enquanto os alas ganham liberdade para atacar. Quando o ala direito cruza para o esquerdo, como no gol de Matheus Bahia contra o Botafogo, os dois atuam como atacantes e criam superioridade numérica no ataque.
Como Baptista montou o time no primeiro treino
Quando Eduardo Baptista chegou ao Internacional, esboçou seu primeiro time em um jogo-treino contra o sub-20 no esquema 3-4-2-1: três zagueiros, quatro jogadores no meio, incluindo os alas, dois meias-atacantes e um centroavante. A formação já indicava a intenção de dar protagonismo aos alas.
Braian Aguirre foi escalado como ala direito e se destacou na atividade, sinal de que o técnico o via como peça central do projeto.
Essa escalação indicava que Baptista havia estudado o elenco e identificado em Aguirre, preterido na era anterior, as qualidades físicas e técnicas para exercer a nova função. O lateral precisava de confiança e de um sistema que valorizasse seu jogo, e baptista ofereceu essas condições desde o início.