Relembre o ano do único rebaixamento do Internacional
Em dezembro de 2016, o Internacional caiu para a segunda divisão do futebol brasileiro, confirmado pelo resultado do Sport, que bateu o Figueirense na…
Foto: Reprodução/Inter Em dezembro de 2016, o Internacional caiu para a segunda divisão do futebol brasileiro, confirmado pelo resultado do Sport, que bateu o Figueirense na mesma rodada. A queda encerrou uma temporada que combinou conquistas estaduais com caos administrativo, conflitos internos e instabilidade técnica. Mesmo com os títulos do Gauchão e da Recopa Gaúcha no currículo, o clube atravessou a pior temporada de sua trajetória, com problemas que já se anunciavam nos primeiros meses do ano.
Depois de oito anos como principal referência do elenco, D’Alessandro se despediu do Beira-Rio em fevereiro e retornou ao River Plate. Visivelmente emocionado, ele não conteve as lágrimas na despedida. A decisão de deixar o Inter havia sido influenciada por Enzo Francescoli, ídolo do jogador, que o convenceu a retomar a carreira no clube argentino onde se formou como atleta.
O episódio marcou um ponto de inflexão: sem seu principal jogador, o Inter enfrentaria uma sequência de decisões equivocadas que culminaria no rebaixamento inédito.
Do Gauchão à ilusão de liderança
Argel herdou um time desorganizado, e mesmo sem D’Alessandro, reorganizou a equipe nos primeiros meses e conquistou o hexacampeonato estadual — a única alegria da temporada. As vitórias sobre o Caxias (1 a 0 no Alfredo Jaconi e 3 a 0 no Beira-Rio) consolidaram o título.
No Campeonato Brasileiro, o cenário mudou, e após vencer o Atlético-MG por 2 a 0, com gols de Eduardo Sasha e Vitinho, Argel somava 19 pontos em 24 possíveis (79% de aproveitamento). Nas primeiras oito rodadas, o time havia sido vazado em apenas três oportunidades. O Inter chegou a liderar a competição nacional, e a esperança parecia finalmente desabrochar.
O áudio e o colapso do técnico
Quatro jogos sem vitória precederam o Gre-Nal, e nesse contexto, um áudio de 27 segundos de Argel conversando com um amigo vazou no WhatsApp. Na mensagem, o técnico falava sobre passar o “trator por cima dos caras” no clássico. A derrota de 1 a 0 no próprio Beira-Rio transformou a promessa em motivo de escárnio.
Uma sexta partida consecutiva sem êxito — desta vez contra o Santa Cruz, também 1 a 0 — selou a demissão. Argel deixava o cargo após quase 11 meses com 61 partidas disputadas, 33 vitórias, 61,74% de aproveitamento e as conquistas da Recopa Gaúcha e do Gauchão.
Ainda em Pernambuco, um encontro decidiu o desfecho: Vitorio Piffero, presidente do clube, e Carlos Pellegrini, vice de futebol, conversaram com o técnico e confirmaram sua saída.
Quatro técnicos e o declínio acelerado
Paulo Roberto Falcão substituiu Argel, mas teve passagem-relâmpago: cinco jogos, dois empates, três derrotas e 13,33% de aproveitamento em apenas 27 dias. Depois, Celso Roth chegou como parte de uma reformulação administrativa que trouxe Fernando Carvalho, antigo parceiro e presidente campeão do mundo em 2006, para a vice-presidência de futebol.
Ibsen Pinheiro assumiu como diretor de futebol, e Newton Drummond, como executivo. Roth permaneceu 100 dias, disputou 22 partidas, com seis empates e 10 derrotas, e foi demitido em 17 de novembro. Seu aproveitamento foi de 36,36%, e lisca encerrou a sequência nas três partidas finais do Brasileirão.
Enquanto os técnicos se sucediam, os conflitos chegaram ao vestiário. Em 14 de outubro, o meia Anderson deu um soco na boca do colega William durante um treinamento. William deixou o gramado sangrando e precisou de um procedimento dentário. Anderson sofreu suspensão e redução de 15% do salário, enquanto William recebeu advertência.
O caos organizacional, as trocas precipitadas e os conflitos entre atletas ajudaram a levar o time ao rebaixamento.
A derrocada final
Em 11 de dezembro, o Inter enfrentou o Fluminense em Mesquita, no Rio de Janeiro. Apesar da defesa de pênalti de Danilo Fernandes, o time empatou por 1 a 1 e não escapou do rebaixamento.
Antes da última rodada, o dirigente Fernando Carvalho causou polêmica ao comentar o acidente da Chapecoense: disse ao GE que o Inter também vivia uma tragédia, ainda que de natureza particular, referindo-se à situação do clube na competição. Carvalho se retratou depois e admitiu ter usado uma expressão equivocada. Abalado pela tragédia da Chapecoense, o grupo de jogadores havia dito que não tinha condições de atuar.
Outra frente aberta pelo clube foi a tentativa de questionar novamente a situação do zagueiro Victor Ramos, do Vitória, sob suspeita de estar em situação irregular no futebol brasileiro, mas o STJD optou por manter o processo arquivado. O Sport venceu o Figueirense por 2 a 0 no mesmo dia e consolidou a queda do Colorado à Série B.