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Revista Colorada

Paulo Pezzolano se manifestou em entrevista no Uruguai

Técnico atribui desempenho aquém do esperado às limitações financeiras do clube durante sua passagem pelo Beira-Rio.

Rodrigo Simões

Paulo pezzolano manifestou entrevista uruguaiReprodução / Internacional

Paulo Pezzolano falou pela primeira vez desde que deixou o Inter, em setembro. Em entrevista à Rádio Carve Deportiva, do Uruguai, o técnico revisitou a passagem pelo Beira-Rio, abordou as dificuldades enfrentadas durante o trabalho e avaliou a cobrança sobre treinadores no futebol brasileiro.

Pezzolano reconheceu que os resultados ficaram aquém do esperado e relacionou parte do cenário às limitações financeiras que o Inter atravessava. O treinador também destacou como vitórias e derrotas mudam rapidamente a percepção sobre um técnico no mercado brasileiro, em que, segundo ele, “Saímos de um clube gigante que está passando um momento muito duro, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, muitos problemas que não se pôde contratar durante o ano. Para o torcedor no Brasil ou você é Deus ou é o pior. Não tivemos resultados que podiam nos deixar um pouco melhor, estávamos embaixo na tabela. Mas na verdade, sinto um carinho tremendo das pessoas. Essa é a felicidade que resta”.

Os desafios financeiros no dia a dia

A situação econômica do clube ocupou papel central na análise de Pezzolano sobre sua passagem. Ele citou o acúmulo de problemas financeiros dos últimos anos, os transfer bans sucessivos e a impossibilidade de contratar no nível que considerava necessário para competir com outros clubes da Série A.

“Temas econômicos vêm de anos, como uma bola de neve que se formou. Muito dinheiro se foi e custou repor. Te bloqueiam com transfer ban, não se pode contratar, tiveram muitos. Então, não havia dinheiro, ano de eleições, é um ano diferente em um clube gigante como Inter. Isso no futebol brasileiro interfere muito, clubes investem muito e se nota quando não pode contratar ao nível que o Inter deveria contratar”, afirmou.

Enquanto ainda estava no Beira-Rio, em agosto, Pezzolano já havia exposto publicamente o limite financeiro do Inter para buscar reforços. Afastado do cargo, sustentou que o trabalho no dia a dia foi melhor do que os resultados indicaram.

Segundo sua avaliação, as estatísticas indicavam que o Inter merecia estar próximo ao quinto ou sexto lugar, não na zona de rebaixamento onde se encontrava.

O carinho da torcida como consolo

Apesar dos números na tabela, Pezzolano demonstrou carinho pelo clube e pela torcida colorada.

“Saímos de um clube gigante que está passando um momento muito duro, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, muitos problemas que não se pôde contratar durante o ano. Para o torcedor no Brasil ou você é Deus ou é o pior. Não tivemos resultados que podiam nos deixar um pouco melhor, estávamos embaixo na tabela. Mas na verdade, sinto um carinho tremendo das pessoas. Essa é a felicidade que resta”, declarou na entrevista.

O treinador também agradeceu ao presidente Alessandro Barcellos, a Abel Braga e a Fabinho Soldado pelo trabalho realizado.

Comentou que o aprendizado mais significativo foi o carinho recebido das pessoas, contrariando suas próprias expectativas. “O grande aprendizado foi o carinho que as pessoas me deram. Quando fiz o post, que um amigo faz, que administra minhas redes, espera outro tipo de resposta. Mas não, disseram ‘você vai voltar’, ‘não era o ano para você’, ‘o trabalho foi espetacular’, isso não é normal para um clube gigante. O mais lindo foi que, apesar dos resultados, há lugares no mundo que te valorizam a maneira de trabalhar”

Mérito versus resultados

Para Pezzolano, a campanha do Inter merecia um melhor desfecho na tabela.

“O trabalho no dia a dia foi espetacular e vou estar agradecido sempre com o presidente, com Abel Braga, com Fabinho Soldado. Uma lástima que futebol não é merecimento, mas merecia ter muitos mais pontos. Não é um treinador que está dizendo, mas as estatísticas. Inter era para estar em quinto ou sexto na tabela, mas estávamos abaixo”, ressaltou.

Pezzolano deixou o cargo após a derrota por 1×0 para o São Paulo no MorumBIS, com o Colorado na zona de rebaixamento, e foi substituído por Eduardo Baptista.

O acúmulo de crises financeiras como pano de fundo invisível

Pezzolano apontou a “Temas econômicos vêm de anos, como uma bola de neve que se formou. Muito dinheiro se foi e custou repor. Te bloqueiam com transfer ban, não se pode contratar, tiveram muitos. Então, não havia dinheiro, ano de eleições, é um ano diferente em um clube gigante como Inter. Isso no futebol brasileiro interfere muito, clubes investem muito e se nota quando não pode contratar ao nível que o Inter deveria contratar” de problemas econômicos formada ao longo dos anos como um fator que afeta o trabalho dos técnicos no Inter. Os transfer bans sucessivos não são apenas obstáculos pontuais: são sintomas de uma crise estrutural que impede o clube de contratar no nível esperado para competir na Série A.

Além disso, em anos de eleições, a instabilidade administrativa se soma às limitações financeiras.

Esse contexto ajuda a explicar por que o rendimento técnico, que Pezzolano avalia como “O trabalho no dia a dia foi espetacular e vou estar agradecido sempre com o presidente, com Abel Braga, com Fabinho Soldado. Uma lástima que futebol não é merecimento, mas merecia ter muitos mais pontos. Não é um treinador que está dizendo, mas as estatísticas. Inter era para estar em quinto ou sexto na tabela, mas estávamos abaixo”, não se traduziu em uma posição melhor na tabela. 

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