O comportamento de Pezzolano no Gre-Nal que chamou atenção
Foto: Ricardo Duarte / Internacional O Gre-Nal 449, disputado no último domingo (25), no Beira-Rio, não foi marcado apenas pela virada do Internacional e pela vitória por 4 a 2 sobre o Grêmio. Fora das quatro linhas, o clássico também expôs dois estilos completamente distintos de liderança à beira do campo. Luís Castro e Paulo Pezzolano, ambos estreantes em Gre-Nais, protagonizaram um verdadeiro duelo de posturas, emoções e reações durante os 90 minutos.
O lance que melhor sintetiza esse contraste aconteceu no terceiro gol do Inter, o da virada, marcado por Rafael Borré. Assim que a bola balançou as redes, Paulo Pezzolano explodiu. O uruguaio deixou a área técnica em disparada, correu em direção à bandeirinha de escanteio e desapareceu no meio dos jogadores em uma comemoração intensa, quase catártica. Do outro lado, Luís Castro permaneceu imóvel, com as mãos na cintura, observando o campo em silêncio. Dois técnicos impacientes, dois sentimentos opostos, expressos de formas completamente diferentes.
Durante toda a partida, a impaciência foi uma constante para ambos, mas manifestada de maneiras singulares. Pezzolano viveu o jogo de forma visceral. Ficou de pé durante todo o confronto, reagiu a cada jogada, pediu apoio da torcida no início do segundo tempo e foi prontamente atendido, com o Beira-Rio explodindo em resposta. Em lances decisivos, suas reações espelhavam as dos jogadores: mãos na cabeça, gestos de inconformismo e incentivo constante.
Luís Castro, por sua vez, adotou uma postura mais contida. As mãos na cintura foram sua marca registrada, presentes em grande parte do tempo, como se fosse uma extensão natural de seu corpo. Em raros momentos, rompeu essa rigidez: saltou no primeiro gol gremista, correu ao lado de Carlos Vinícius em um lance que terminou anulado por impedimento e quase se sentou no gramado após um erro de Edenilson no segundo tempo. Ainda assim, o padrão foi o da contenção e da análise silenciosa.
A arbitragem também foi alvo da impaciência de ambos, especialmente da quinta árbitra Jeissyevan Freitag Gonçalves, que ouviu reclamações constantes durante a noite. Mesmo assim, o confronto não descambou para excessos, reflexo da experiência dos dois treinadores, que entenderam que gritar mais alto não muda decisões.
No quarto gol colorado, Pezzolano celebrou novamente, agora abraçado à comissão técnica e ao goleiro Anthoni. Castro, estático, manteve sua postura habitual. A cada substituição, o uruguaio aplaudia seus jogadores, com destaque especial para Borré, apontado para a torcida como símbolo da recuperação do atacante. Já ao apito final, Castro permaneceu alguns segundos imóvel, até cumprimentar Pezzolano. Ali, a tensão deu lugar ao respeito. A vitória e a derrota estavam seladas, assim como o retrato de dois técnicos, duas personalidades e duas formas muito diferentes de viver um Gre-Nal.