Antonio Henrique Pinheiro da Conceição, como muitos brasileiros, sonhou um dia em ser jogador de futebol. Mas a vida o conduziu por outro caminho: ele se tornou gari — e foi nesse trabalho que encontrou sua virada. Nas redes sociais, explodiu como Foguetinho, compartilhando acrobacias, frases motivacionais e seu carisma contagiante.
Morador de Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, a 118 km de Porto Alegre, Foguetinho acorda por volta das 4h e às 5h já está na empresa. No caminhão de lixo, percorre 24 km até Xangri-Lá, acompanhado dos colegas José Roberto Caetano Mattos (Zé), Juliano Cesar Moura Teixeira (Tinga) e Saymon Muriel Cruz de Brito.
Das 7h às 15h, ele percorre as ruas da cidade com um sorriso no rosto, chamando atenção para uma profissão muitas vezes invisível ou desvalorizada. É nesse momento que Foguetinho se destaca. Ao recolher o lixo, faz acrobacias enquanto usa fantasias de super-heróis ou a camisa do Internacional, seu time do coração.
Rápido e ágil, ele acompanha o caminhão e completa o trajeto com saltos mortais, lembrando uma mistura de Rebeca Andrade com a Carreta Furacão, conhecida pelo “trenzinho da alegria”.
“Sou rápido desde pequeno. Aprendi a dar mortais na escola, sempre fui sapeca. Comecei a fazer no trabalho e a galera gostou”, conta ele, explicando que nem precisa aquecer: as piruetas surgem na grama, no paralelepípedo ou na calçada, mesmo no calor do verão.
Fenômeno nas redes sociais
O talento de Foguetinho chamou atenção primeiro dos colegas e moradores. Depois, decidiu gravar vídeos e apostar no TikTok, onde alguns vídeos já ultrapassam 1 milhão de visualizações. Hoje, também publica no Instagram, abrindo os conteúdos com o bordão “fala, minha tropinha” e acrescentando mensagens motivacionais.
Seus amigos Tinga e Saymon ajudam na produção, e foi Saymon quem criou o apelido Foguetinho, inspirado na velocidade do colega. “Comecei na época do Luva de Pedreiro. Fiz uns vídeos no caminhão e viralizou”, lembra ele.
O sucesso se reflete nos números: 1,4 milhão de seguidores no Instagram, 234 mil no Threads e 144,3 mil no TikTok. Ele até lançou um gibi para download e interage com fãs durante o verão, tirando fotos e participando de chamadas de vídeo.
Apesar da fama, a principal fonte de renda de Foguetinho ainda é o trabalho de gari, que lhe garante entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por mês. Ele adquiriu a casa onde mora com a esposa, Jhulhy, e os filhos Anthonhy e Aurora, mas ainda não quitou todas as parcelas.
Paixão pelo Internacional
Se tornar profissional ainda parece distante, mas o trabalho aproximou Foguetinho de outra grande paixão: o Internacional. Fanático pelo clube, ele usa a camisa do time e leva bandeiras no caminhão, uma paixão compartilhada com Tinga e Saymon.
O carisma do acrobata chamou a atenção de ídolos como Tinga, D’Alessandro e do ex-presidente Giovanni Luigi, que lhe presenteou com uma camisa. No domingo (8/2), Foguetinho foi convidado pelo clube para acompanhar a vitória por 3 a 1 sobre o São Luiz em um camarote no Beira-Rio. Antes da partida, esteve no campo, conheceu Gabriel Mercado e ainda mostrou ao zagueiro um de seus mortais.
“A vida não é fácil para ninguém. Mas, se você tem um sonho, corra atrás. Quero dar uma estrutura melhor à minha família. Quem sabe um dia eu não possa pisar no gramado e meter uma gingada? Estou lutando para que as coisas aconteçam”, finaliza.
Foguetinho mostra que, mesmo diante de obstáculos, é possível manter a cabeça erguida e seguir em frente. Com talento e dedicação, ele prova que até no meio do lixão podem florescer sonhos.



