Justiça derrubou patrocínio da Fatal Model do Corinthians, próximo rival do Inter
Corinthians terá 15 dias para remover a marca de seus uniformes, espaços esportivos e canais digitais.
Créditos: Reprodução/Corinthians A Justiça de São Paulo suspendeu, em decisão liminar da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional do Tatuapé, o patrocínio da Fatal Fans no Corinthians.
O Ministério Público do Estado acionou a Justiça por considerar que a publicidade da plataforma de conteúdo adulto, administrada pela Fatal Model, oferece risco à integridade emocional e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. Procurado pela imprensa, o clube informou que ainda não havia sido notificado no momento do posicionamento.
A decisão dá ao Corinthians 15 dias para remover a marca dos uniformes, espaços esportivos, canais digitais e outras áreas, além de desativar links para o site da patrocinadora. O clube também deverá adotar mecanismos de verificação de idade para restringir o acesso de menores aos conteúdos do patrocinador, e o processo corre em sigilo judicial.
A liminar abrange qualquer contrato do Corinthians com empresas responsáveis por plataforma online de conteúdo adulto e veta a exposição, a divulgação ou a promoção da marca.Pontos-chave
O contrato milionário que gerou controvérsia
Firmado em junho e válido até 2027, o acordo rendia R$ 22 milhões aos cofres corintianos. A renovação por 12 meses poderia elevar o valor a R$ 31 milhões. A marca estampava o calção do time masculino, enquanto o uniforme feminino exibia a campanha “Respeita as Mina”.
Em setembro, o clube precisou trocar o lado de exibição da logo após reclamação formal da Nike. A fornecedora de material esportivo não queria o símbolo no mesmo lado que o dela. A marca passou então para o lado direito do calção, acima do símbolo do Corinthians.
A Fatal Fans também apareceu nos uniformes de futsal e basquete. No futebol feminino, a patrocinadora se dispôs a pagar os salários da atacante Gisela Robledo durante a renovação do contrato da jogadora, válido até 31 de agosto de 2027. E exibiu uma campanha sobre violência contra a mulher.
Esses recursos ajudavam a sustentar modalidades inteiras enquanto o clube tentava equilibrar as contas diante de uma dívida de R$ 2,8 bilhões.
Resposta da empresa Fatal Fans à decisão da Justiça de proibir a propaganda da empresa no uniforme do Corinthians:
— Marco Bello Jr (@marcobellojr) 1 de outubro de 2026
“O Fatal Fans tomou conhecimento pela imprensa, na tarde desta quinta-feira (1º), da decisão liminar que determina a suspensão temporária da divulgação do… pic.twitter.com/nY6mIlP3gw
Proposta maior e impasse nas bets
Após a publicação da medida provisória das bets, a Fatal Model propôs ocupar o espaço máster do uniforme corintiano por R$ 120 milhões anuais. A oferta, porém, esbarra na possível rejeição da MP pelo Congresso Nacional, que tem 120 dias para deliberar sobre o tema, e na decisão judicial contra a marca.
A diretoria também não quer prejudicar a relação com a Esportes da Sorte, atual patrocinadora de apostas do clube. Corinthians e patrocinadora ainda não definiram como agir após o veto às bets. A possibilidade de congelar o contrato até a definição final pelos parlamentares não está descartada.
O Corinthians informou que “conduzirá, em conjunto com a empresa e seus respectivos departamentos jurídicos, as tratativas necessárias para o adequado encaminhamento da questão”.
A Fatal Fans, por sua vez, declarou respeito pelas instituições e famílias, destacando conformidade com o ECA Digital e controles rigorosos de verificação de idade.