Inter precisa de regularização para inscrever novos atletas em 2027
Clube pode negociar com atletas, mas não consegue inscrevê-los oficialmente até quitar débitos com clubes estrangeiros.
Créditos: Ricardo Duarte/Internacional O Inter precisa quitar dívidas de contratações anteriores para inscrever novos reforços: três punições internacionais bloqueiam o registro de atletas no clube. O cenário coloca em risco o planejamento esportivo para 2027, já que as sanções da Fifa impedem novas inscrições mesmo com negociações em andamento.
As restrições envolvem débitos com o Dansoman Wise, de Gana, o Midtjylland, da Dinamarca, e o Olympiacos, da Grécia. Elas afetarão o clube quando a próxima janela de transferências se abrir, caso os passivos não sejam regularizados até lá.
Como funcionam os bloqueios internacionais
Cada bloqueio pode durar até três janelas de transferências ou até que o clube quite as dívidas que o geraram. Durante esse período, o Inter pode negociar com atletas, mas não pode inscrevê-los para atuar oficialmente pelo clube.
O bloqueio não se estende automaticamente por todo 2027. Se o clube regularizar os débitos e retirar as restrições antes da abertura da próxima janela, poderá voltar a registrar reforços normalmente. Por isso, a quitação dos passivos é fundamental para que o departamento de futebol execute seus planos.
As dívidas que geraram as sanções
A contratação do volante Benjamin gerou o bloqueio mais recente. O acordo de 2025 com o Dansoman previa o pagamento de 140 mil euros pelos direitos econômicos, divididos em oito parcelas de 17,5 mil euros. O clube reclamava que apenas a primeira parcela havia sido paga, e o atraso levou a disputa à Fifa.
As outras duas punições envolvem montantes bem maiores: o Midtjylland cobra aproximadamente 1,5 milhão de euros pela transferência do zagueiro Juninho, enquanto o Olympiacos reclama valores relacionados à compra do lateral Ramon, atualmente vinculado ao Vitória.
Processos adicionais ampliam o risco
Além das três sanções já em vigor, o Inter responde a outros quatro processos na Fifa que podem resultar em novos bloqueios. Um bloqueio preventivo no âmbito nacional, relacionado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), também complica o cenário.
Esse bloqueio está vinculado ao Evento de Insolvência solicitado pelo Inter em setembro para organizar um plano coletivo de pagamentos. Os valores apresentados inicialmente ao procedimento indicam cerca de R$ 31 milhões em débitos.
Planejamento Esportivo em xeque
A diretoria precisa resolver as cobranças internacionais e nacionais antes que as restrições comprometam o planejamento para a próxima temporada. A regularização dos passivos é a prioridade da administração.
Cada procedimento, internacional ou nacional, tem regras próprias para a regularização. A diretoria do Inter terá de acompanhar os processos para não prejudicar a montagem do elenco em 2027.
Por que o Inter consegue negociar, mas não registrar jogadores
O bloqueio funciona em duas etapas. O clube ainda pode conversar com outros times, acertar valores e assinar contrato com um atleta. O problema surge na inscrição oficial na Fifa, necessária para que o jogador entre em campo pelo Inter: o sistema rejeita o registro enquanto a punição estiver ativa.
É como tentar comprar um carro com multas em aberto: você consegue fechar o negócio com o vendedor, mas o cartório não libera a transferência de documentos enquanto as dívidas não forem pagas. O atleta fica “pendurado” — contratado, mas impossível de usar.