Criticado por muitos, Edenilson deixou sua marca na história do Internacional
Após seis temporadas e 306 partidas, o meio-campista deixou o Internacional em dezembro para o Atlético-MG.
Divulgação / Internacional Poucas carreiras no futebol moderno do Internacional se mantêm tão longas e presentes quanto a de Edenilson. Chegou em 2017, quando o clube se reconstruía após o rebaixamento, e permaneceu por seis temporadas no Beira-Rio. O meio-campista atravessou mudanças de treinador, gerações de atletas e momentos de esperança intercalados com frustrações que marcaram sua trajetória.
Os números revelam a importância técnica que desfrutou: 306 partidas, sendo 281 delas como titular. Marcou 48 gols, distribuiu 32 assistências e se consolidou como um dos jogadores que mais vestiram a camisa colorada no período recente do clube.
Do rebaixamento à titularidade rápida
Quando assinou com o Internacional em 2017, vinha da Udinese para enfrentar um cenário desafiador: a Série B que precisava ser conquistada. O volante ganhou espaço rapidamente, disputando 39 jogos em sua primeira temporada e mostrando estar pronto para o desafio imediato.
Seu desempenho abriu portas que se mantiveram abertas, consolidando-o como peça praticamente indispensável no time do Internacional durante as seis temporadas em que permaneceu no clube. Edenilson se adaptava aos diferentes papéis que a tática do Inter exigia — volante, meia, lateral direito — qualidade rara entre jogadores da sua geração que vestiram o uniforme Colorado.Pontos-chave
2020 e 2021: o auge do atleta
Durante boa parte do vice-Campeonato Brasileiro de 2020, Edenilson foi titular, e um dos melhores momentos da campanha ocorreu nesse período. O Internacional chegou à última rodada com chances reais de conquistar o título, mas o desfecho seria frustrante.
Impedimento anulou o gol de Edenilson aos 51 minutos do segundo tempo na decisiva contra o Corinthians, negando ao Inter o título que já era seu. O Flamengo conquistou o campeonato, deixando o Colorado e seu meio-campista com o gosto amargo do que poderia ter sido.
O pico chegou em 2021, quando disputou 54 jogos, marcou 15 gols e criou nove assistências. Esse desempenho o projetou para oportunidades na Seleção Brasileira durante a preparação para a Copa do Mundo do Catar, reconhecimento que elevou seu prestígio no clube.
09/09/2018 Inter 1×0 Grêmio
— Inter Vídeos Memoráveis (@videos_inter) 9 de setembro de 2021
Há 3 anos, o Inter vencia o Grêmio no Beira Rio, com gol de Edenilson.
Time do Inter:
Lomba; Zeca, Rodrigo Moledo, Cuesta e Uendel (Fabiano); Dourado, Patrick, Edenílson, Pottker e Nico López (D’Alessandro); J. Alvez (Leandro Damião).
Técnico: Odair pic.twitter.com/iIB5eqlEzf
Os momentos decisivos que pesaram
Nem tudo correu como esperado, e na final da Copa do Brasil de 2019, o Internacional perdeu para o Athletico-PR, encerrando precocemente uma campanha que alimentava esperanças de título.
Em 2021, contra o Olimpia pela Libertadores, Edenilson desperdiçou um pênalti durante a partida, mas converteu sua cobrança posteriormente na disputa de penalidades que terminou com a eliminação colorada. Anos depois, em 2022, nova cobrança perdida em penalidades contra o Melgar, pela Copa Sul-Americana, intensificou as críticas que gradualmente envolviam seu nome entre os torcedores do Beira-Rio.
Desgaste e uma saída que refletia o incômodo mútuo
A relação com parte da torcida se deteriorou especialmente em 2022. Vaias ecoavam do estádio, embora aplausos ainda surgissem em momentos marcantes, como os 300 jogos contra o Santos em outubro.
Mesmo ao terminar a temporada de 2022 como artilheiro do Inter, com 10 gols e cinco assistências em 54 partidas, o ambiente desgastado pesava sobre o jogador. Com contrato até 2024, Edenilson manifestou interesse em deixar Porto Alegre.
Em dezembro, a transferência para o Atlético-MG por cerca de US$ 1,25 milhão concretizou uma saída que refletia o incômodo mútuo entre jogador e segmento da torcida colorada.
Sua passagem marca um tipo de trajetória que se repete no futebol moderno: talentoso, dedicado e responsável por momentos memoráveis, mas vinculado também aos insucessos coletivos. Edenilson segue dividindo opiniões porque sua história no clube não é apenas de estatísticas — é de esperanças que não se realizaram e de um ambiente que, eventualmente, deixou de comportá-lo.