Cria do Inter que passou pela Roma está livre no mercado
Aos 32 anos, o volante aguarda oportunidades no mercado após uma carreira marcada por passagens pela Ásia, Portugal e Noruega.
Créditos: Lucas Gabriel Cardoso/Brusque FC Jonatan Lucca encerrou nesta semana sua passagem pelo Brusque, pelo qual disputou a Série C do Campeonato Brasileiro como volante reserva. Em 13 partidas pelo time catarinense, o atleta de 32 anos não marcou gols, mas reconheceu a qualidade da campanha que deixou o clube a poucos passos do acesso à divisão superior.
Livre no mercado, Lucca aguarda oportunidades para definir os próximos passos da carreira. A passagem pelo Quadricolor marcou seu retorno ao futebol brasileiro após longos anos em ligas alternativas pelo mundo.
Do Internacional à Roma: a trajetória precoce na Europa
Revelado nas categorias de base do Internacional, Lucca deixou o clube cedo. Aos 17 anos, antes de estrear pelo time gaúcho, foi negociado com a Roma por 700 mil euros. Na época, Lucca também recebeu uma proposta da equipe sub-23 da Juventus, mas seguiu para a Roma.
Na Roma, integrou o elenco na pré-temporada ao lado de De Rossi e Pjanic, ídolos da posição, e de Francesco Totti. Embora não tenha atuado nas principais competições, permaneceu relacionado até o fim daquela temporada, conforme informou. Após a experiência europeia, retornou ao Brasil em 2014 para atuar no Athletico-PR e no Guaratinguetá.
Mobilidade continua: Ásia, Portugal e Noruega
Após breve passagem pelo futebol brasileiro, Lucca novamente buscou oportunidades no exterior, desta vez em ligas menos tradicionais. Entre 2015 e 2018, defendeu o FC Goa na Índia. Kelantan FA na Malásia e Pune City também na Índia, acumulando experiências em contextos de jogo e culturas distintas que exigiram constante adaptação.
A carreira internacional não se limitou ao continente asiático, e o volante também passou por três clubes portugueses — B SAD, Farense e AFS —, além do Stabaek, da Noruega. As experiências reforçaram seu perfil de profissional versátil, disposto a atuar em diferentes realidades do futebol.
Em 2025, sua última experiência antes do Brusque foi pelo Pakhator do Uzbequistão, ampliando ainda mais um histórico marcado pela mobilidade entre continentes.
Por que Jonatan saiu do Brasil aos 17 anos sem experiência profissional
Jonatan não deixou o Internacional por falta de oportunidades no Brasil. O técnico Dorival Júnior estava prestes a promovê-lo ao elenco principal quando surgiram as propostas europeias. O dilema era ficar no Inter, onde seu pai torcia e onde havia possibilidade de evolução, ou arriscar tudo na Europa.
Jonatan e seu empresário avaliaram que, ao entrar no futebol profissional europeu, ele teria visibilidade e experiência que talvez nunca conseguisse no Brasil. A falta de garantias no futebol pesou a favor de tentar a oportunidade imediata na Roma.
Como era o dia a dia na Roma sob o comando de Zeman
O treinador Zdeněk Zeman, responsável pelo time quando Jonatan chegou, tinha fama de excêntrico e apostava em um estilo ofensivo extremo. Isso significava treinos físicos brutais: durante a pré-temporada na Áustria, o volante chegou a chorar de dor aos 18 anos. Jogadores experientes abandonaram o projeto porque sabiam que não conseguiriam manter aquele ritmo ao longo de toda a temporada.
Como um jogador de 17 anos conseguia conviver com campeões do mundo na Roma?
Segundo Jonatan, foram apenas conhecimentos de videogame que de repente ficaram reais. Jogadores como Totti, Perrotta e De Rossi — todos campeões pela Itália — o receberam bem, assim como os brasileiros do elenco. O maior choque foi o primeiro treino: De Rossi, ainda irritado por ter perdido a final da Euro para a Espanha.
Aplicou um carrinho tão forte que teria sido falta se não fosse a idade do garoto. Mesmo assim, De Rossi tapinou o rosto e incentivou (“Bora, bora!”), mostrando que o coleguismo existia.
Jonatan relembra que Pjanic impressionava nos treinos e contava ter aprendido com Juninho Pernambucano no Lyon; Totti era reservado, mas tinha qualidade acima da média; e Osvaldo, o atacante, era “maluco”, mas boa pessoa, chegando a ser cantor de rock.
Apesar da qualidade ao redor, a falta de experiência e a solidão — apenas o também jovem Marquinho, ex-Fluminense, atuava como pai — tornaram aquela convivência mais isolante que educativa.