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Revista Colorada

As centenas de milhões que o Inter precisa para pagar as contas até o fim do ano

Clube pode perder receitas de competições da Conmebol em 2026 e enfrenta restrições da Fifa que impedem novos reforços.

Rodrigo Simões

Centenas milhões inter precisa pagarCréditos: Internacional/Reprodução

Para fechar o ano com as contas em ordem, o Inter terá que reunir R$ 140 milhões, valor necessário para cobrir a folha salarial dos atletas e os compromissos financeiros mais imediatos. Esse aperto no caixa ocorre justamente no momento em que o time também luta para não cair para a Série B. Alessandro Barcellos, presidente do clube, apresentou esse cenário aos candidatos à sucessão durante um encontro realizado na noite de domingo.

Pontos-chave
Pontos-chave da situação financeira do Inter
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Clube precisa reunir R$ 140 milhões para cobrir folha e compromissos imediatos.
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Ausência de patrocinador máster reduziu R$ 50 milhões da receita anual.
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Arrecadação com transferências ficou muito abaixo da expectativa de R$ 204 milhões.
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Doação de R$ 20 milhões cobriu salários e parte do 13º, mas não resolve o déficit.
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Restrições da Fifa impedem registro de reforços por dívidas com clubes estrangeiros.
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Dívida total deve ficar próxima de R$ 1 bilhão; futuro do patrocínio atual é incerto.

Estiveram presentes os três candidatos que concorrem ao pleito de novembro e dezembro — Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino —, além do vice-presidente eleito Victor Grunberg, do vice de Finanças Leandro Bergmann e do presidente do Conselho Deliberativo Gustavo Juchem.

O ex-presidente Fernando Carvalho articulou a reunião para que os futuros dirigentes conhecessem em detalhes as dificuldades financeiras do clube.

Onde faltam as receitas

A maior perda de receita do Inter vem da ausência de patrocinador máster desde o final do ano passado. A empresa de apostas que tinha a marca estampada na camisa deixou o acordo em janeiro por inadimplência, reduzindo em R$ 50 milhões a receita anual, e essa perda continua sem compensação.

O desempenho no mercado de transferências também ficou abaixo do planejado. A diretoria estimava arrecadar R$ 204 milhões com a venda de atletas nesta temporada, mas o Inter não chegou a um terço dessa cifra. A diferença entre o previsto e o realizado é um dos principais fatores que pressionam o caixa nos últimos meses do ano.

Ajudas que chegaram, mas não resolvem

Os salários dos jogadores seguem em dia graças a uma doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda, feita no mês passado. O dinheiro cobriu direitos de imagem em atraso e parcelas do 13º salário de 2025, que foi parcelado entre os atletas. Mesmo assim, o clube ainda precisa de novos recursos nos próximos meses.

A possibilidade de recuperação judicial foi discutida na reunião, mas Barcellos entende que essa não é a melhor alternativa neste momento. Segundo o presidente, a diretoria tem buscado saídas alternativas, entre elas ações no campo jurídico, na tentativa de esticar os prazos de pagamento das dívidas e dar um respiro ao caixa do clube.

Punições da Fifa complicam a saída

As restrições impostas pela Fifa agravam ainda mais a situação. O clube está impedido de registrar novos reforços porque ainda não pagou integralmente ao Midtjylland, da Dinamarca, pela contratação do zagueiro Juninho, e também responde a outra punição ligada à compra dos direitos do lateral Ramon junto ao Olympiacos, da Grécia.

Novos bloqueios devem chegar até dezembro, já que há pendências com clubes estrangeiros que dificilmente serão resolvidas no prazo. A dívida total do Inter deve continuar próxima de R$ 1 bilhão mesmo com o orçamento aprovado. O clube também perderá receitas de competições da Conmebol em 2026 por ter escapado do rebaixamento apenas na última rodada.

A relação com a Alfa Bet, atual patrocinadora máster, também é incerta. A empresa tem uma parcela em aberto depois de atrasar outra, e o futuro do vínculo está em suspenso. Os próximos meses definirão se o Inter conseguirá manter a estabilidade até a virada do ano.

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