As centenas de milhões que o Inter precisa para pagar as contas até o fim do ano
Clube pode perder receitas de competições da Conmebol em 2026 e enfrenta restrições da Fifa que impedem novos reforços.
Créditos: Internacional/Reprodução Para fechar o ano com as contas em ordem, o Inter terá que reunir R$ 140 milhões, valor necessário para cobrir a folha salarial dos atletas e os compromissos financeiros mais imediatos. Esse aperto no caixa ocorre justamente no momento em que o time também luta para não cair para a Série B. Alessandro Barcellos, presidente do clube, apresentou esse cenário aos candidatos à sucessão durante um encontro realizado na noite de domingo.
Estiveram presentes os três candidatos que concorrem ao pleito de novembro e dezembro — Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino —, além do vice-presidente eleito Victor Grunberg, do vice de Finanças Leandro Bergmann e do presidente do Conselho Deliberativo Gustavo Juchem.
O ex-presidente Fernando Carvalho articulou a reunião para que os futuros dirigentes conhecessem em detalhes as dificuldades financeiras do clube.
Onde faltam as receitas
A maior perda de receita do Inter vem da ausência de patrocinador máster desde o final do ano passado. A empresa de apostas que tinha a marca estampada na camisa deixou o acordo em janeiro por inadimplência, reduzindo em R$ 50 milhões a receita anual, e essa perda continua sem compensação.
O desempenho no mercado de transferências também ficou abaixo do planejado. A diretoria estimava arrecadar R$ 204 milhões com a venda de atletas nesta temporada, mas o Inter não chegou a um terço dessa cifra. A diferença entre o previsto e o realizado é um dos principais fatores que pressionam o caixa nos últimos meses do ano.
🚨Inter precisa de R$ 140 milhões para fechar o ano com contas em dia
— Últimas do Inter! (@ultimasinter) 29 de setembro de 2026
Valor foi revelado por Alessandro Barcellos em reunião com candidatos à presidência; clube enfrenta dificuldades de caixa e ainda não cumpriu meta de venda de jogadores
🗞️Fabrício Falkowski pic.twitter.com/adZthCW242
Ajudas que chegaram, mas não resolvem
Os salários dos jogadores seguem em dia graças a uma doação de R$ 20 milhões do empresário Delcir Sonda, feita no mês passado. O dinheiro cobriu direitos de imagem em atraso e parcelas do 13º salário de 2025, que foi parcelado entre os atletas. Mesmo assim, o clube ainda precisa de novos recursos nos próximos meses.
A possibilidade de recuperação judicial foi discutida na reunião, mas Barcellos entende que essa não é a melhor alternativa neste momento. Segundo o presidente, a diretoria tem buscado saídas alternativas, entre elas ações no campo jurídico, na tentativa de esticar os prazos de pagamento das dívidas e dar um respiro ao caixa do clube.
Punições da Fifa complicam a saída
As restrições impostas pela Fifa agravam ainda mais a situação. O clube está impedido de registrar novos reforços porque ainda não pagou integralmente ao Midtjylland, da Dinamarca, pela contratação do zagueiro Juninho, e também responde a outra punição ligada à compra dos direitos do lateral Ramon junto ao Olympiacos, da Grécia.
Novos bloqueios devem chegar até dezembro, já que há pendências com clubes estrangeiros que dificilmente serão resolvidas no prazo. A dívida total do Inter deve continuar próxima de R$ 1 bilhão mesmo com o orçamento aprovado. O clube também perderá receitas de competições da Conmebol em 2026 por ter escapado do rebaixamento apenas na última rodada.
A relação com a Alfa Bet, atual patrocinadora máster, também é incerta. A empresa tem uma parcela em aberto depois de atrasar outra, e o futuro do vínculo está em suspenso. Os próximos meses definirão se o Inter conseguirá manter a estabilidade até a virada do ano.