Mesmo com Inter afundado na zona de rebaixamento, Brasileirão pode ser paralisado
Clubes estimam perda superior a R$ 1,1 bilhão com o encerramento dos contratos de patrocínio junto às empresas de apostas.
Reprodução / Internacional O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória que barrou a atuação e a publicidade das casas de apostas em território nacional. A proibição das bets colocou o futebol brasileiro em rota de colisão com o governo federal, e os clubes já se movimentam para reagir à decisão.
Uma das saídas em debate é interromper o Campeonato Brasileiro, justamente quando o Internacional briga para escapar do rebaixamento. O colunista Marcel Rizzo, do jornal Estado de S. Paulo, foi quem revelou essa hipótese.
Por ora, a interrupção da competição segue sendo tratada como instrumento de pressão sobre o governo e a CBF, sem que exista qualquer decisão concreta das equipes nesse sentido.
Governo tem reunião cancelada
O primeiro sinal de insatisfação veio do cancelamento do encontro marcado para esta terça-feira (29) entre dirigentes de clubes e representantes do governo. Os dirigentes não compareceram, segundo apuração da Zero Hora, em uma tentativa de pressionar o governo.
Os dirigentes estimam uma perda superior a R$ 1,1 bilhão para o futebol brasileiro com o encerramento dos contratos de patrocínio junto às empresas de apostas. A linha de crédito oferecida pelo governo foi considerada insuficiente pelos clubes, já que serve apenas para cobrir dívidas existentes, sem repor a receita perdida.
Informa o Marcel Rizzo no Estadão
— DataFut (@DataFutebol) 29 de setembro de 2026
Existe uma possibilidade de rolar uma PARALISAÇÃO do BRASILEIRÃO em protesto pela proibição das bets.
Essa ameaça tem dois alvos: Pressionar o Governo a ir além do plano das linhas de crédito a juros baixos, que vinha sendo discutida desde…
Inter vive momento delicado
A ameaça de parar o campeonato surge num momento particularmente sensível para o Inter. O clube ocupa a zona de rebaixamento e, após a saída de Paulo Pezzolano, contratou Eduardo Baptista para tentar afastar o time do risco de cair para a Série B.
A derrota por 1 a 0 diante do São Paulo, no Morumbi, pela 28ª rodada, aumentou ainda mais a pressão sobre o time gaúcho. Uma eventual parada na competição atingiria em cheio uma equipe que precisa de pontos para escapar da segunda divisão.
CBF é pressionada e caso vai ao STF
Os clubes também cobram uma postura mais firme da CBF na defesa dos interesses das equipes. E na busca por alternativas que compensem o rombo causado pelo fim das parcerias com as bets. Paralelamente, a disputa ganhou um capítulo judicial no Supremo Tribunal Federal.
No STF, a medida do governo já é alvo de contestação movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) em conjunto com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Os clubes avaliam entrar no processo para expor formalmente os prejuízos financeiros provocados pela proibição.
O que prevê a nova norma
A Medida Provisória nº 1.394, em vigor desde 25 de setembro, proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país. O governo estabeleceu um cronograma de transição para apostadores e plataformas.
Quem tem saldo nas plataformas pode retirá-lo voluntariamente até o dia 5 de outubro. A partir do dia 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas precisam sair do ar, encerrando de forma definitiva a operação no país.
O governo defende que a proibição busca conter o endividamento das famílias brasileiras e proteger consumidores, crianças e adolescentes dos riscos ligados às apostas online.
Enquanto o embate segue nos bastidores, o Brasileirão continua sendo disputado normalmente, sem qualquer decisão oficial de interrupção. Mas a ameaça preocupa o Inter, que luta para deixar o Z-4.