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Revista Colorada

A manifestação do Inter para Guerrinha

Jornalista gaúcho que marcou gerações de torcedores colorados com sua voz inconfundível morreu aos 70 anos internado em Porto Alegre.

Rodrigo Simões

A manifestação do Inter para GuerrinhaFoto: Reprodução / Canal do Duda Garbi

O Sport Club Internacional prestou homenagem nesta quarta-feira (28) a Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, jornalista esportivo que morreu aos 70 anos. O comunicador gaúcho construiu uma carreira de mais de cinco décadas no jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul, marcada pela irreverência e pelo carisma.

O clube publicou, nas redes sociais, uma nota em que destacou que Guerrinha tinha um estilo irreverente e popular de se comunicar. O jornalista conquistou gerações de ouvintes e leitores pelo tom de suas coberturas e se tornou um personagem central da narrativa colorada durante décadas.


Uma trajetória de voz marcante

Guerrinha trabalhou por 43 anos no Grupo RBS, onde passou por diferentes programas e publicações. Em 1999, começou a trabalhar na Rádio Gaúcha e consolidou sua presença no jornalismo esportivo gaúcho. Um ano depois, estreou a coluna Guerra Total no Diário Gaúcho, ampliando seu alcance entre os leitores.

A partir de 2004, também participou do programa Sala de Redação, mantendo sua presença constante na mídia gaúcha. Seu bom humor e sua irreverência tornaram-se marcas registradas, características lembradas tanto pelo Inter quanto pela Federação Gaúcha de Futebol, que também lamentou publicamente a perda do comunicador.

Momentos inesquecíveis no Beira-Rio

Entre os episódios que eternizaram a ligação de Guerrinha com o Inter está a crônica “Não me acordem”, escrita por Luis Fernando Verissimo para celebrar a conquista do título Mundial de 2006 e narrada pelo jornalista. A narração foi um dos momentos mais emocionantes vividos pela torcida colorada e marcou gerações de fãs.

Tempos depois, o jornalista esteve presente no espetáculo “Os Protagonistas”, apresentação que celebrou a reinauguração do Beira-Rio. Sua voz ecoou pelas arquibancadas em ocasiões que definiram a história recente do clube, consolidando seu legado junto à comunidade colorada.

Perda reconhecida por toda a comunidade esportiva

O Inter reforçou sua solidariedade à família e aos amigos de Guerrinha, destacando o respeito que conquistou entre colorados e gremistas ao longo de sua carreira. A Federação Gaúcha de Futebol reconheceu a contribuição do jornalista para a história do esporte gaúcho, ressaltando seu papel fundamental na comunicação esportiva do estado.

Guerrinha estava internado desde domingo (25) no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, onde tratava uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro de comprometimento geral. Sua morte encerra um capítulo importante da história do jornalismo esportivo gaúcho e deixa um legado que continuará ecoando nas narrativas do futebol rio-grandense.

Como o turfe moldou o jornalista antes do futebol

Antes de se tornar a voz do Internacional, Guerrinha começou a carreira cobrindo corridas de cavalo. O turfe era um nicho que poucos jornalistas queriam cobrir, o que lhe deu espaço para ganhar experiência e desenvolver seu estilo de contar histórias.

O contato com as corridas foi influenciado pelo trabalho de seu pai na Rádio Gaúcha e pela paixão da família pelo turfe.

Guerrinha trabalhou sobre o tema em publicações como Folha da Manhã e Correio do Povo, construindo credibilidade como repórter antes de se concentrar no futebol. Apenas em 1993, após mais de uma década cobrindo hipismo, a cobertura do turfe foi abandonada e ele migrou para o futebol — o assunto que “muitos queriam tratar”.

Essa trajetória mostra que seu carisma inato foi refinado por anos de experiência em um nicho específico antes de conquistar gerações de torcedores colorados.

Como o carisma se transformava em frases memoráveis

O talento de Guerrinha para criar “frases de efeito” não era improviso: vinha da habilidade de contar histórias, desenvolvida no hipódromo. Segundo relatos, ele contava “causos” inusitados e atraía plateias nos corredores das redações, sempre acompanhado de sua “inconfundível risada”.

Essa facilidade para criar narrativas breves e impactantes se transformou em bordões no rádio e em frases memoráveis nas colunas escritas.

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