A passagem de Tite pelo Internacional
Quase duas décadas depois, Tite retorna ao Beira-Rio como técnico do Botafogo para disputar pontos com o Inter na luta contra o rebaixamento.
Divulgação / Flamengo O Inter recebe o Botafogo neste sábado no Beira-Rio para escapar do Z-4, com Tite no banco de reservas visitante. O técnico comandou o Colorado entre 2008 e 2009 e levantou a taça da Copa Sul-Americana, título que apagou as desconfianças em torno de sua chegada.
Hoje técnico do Botafogo, Tite retorna a Porto Alegre em situação muito diferente da que viveu há quase duas décadas. Quando foi contratado, dividia opiniões dentro do clube que viria a comandar com sucesso.
Um nome que gerava desconfiança
O então presidente Vitorio Piffero via com reservas a contratação por causa do passado de Tite no Grêmio, onde havia conquistado a Copa do Brasil de 2001. Essa ligação com o rival pesava contra o técnico nos bastidores do Beira-Rio.
Antes de Piffero apostar em Tite, havia outra alternativa, e o presidente havia contatado Nelsinho Baptista, pai do atual técnico colorado Eduardo Baptista, mas a ideia não avançou. Nelsinho sofria contestação da torcida pela saída em 1996, quando aceitou a oferta do Corinthians.
Giovanni Luigi, vice de futebol, defendia abertamente Tite para assumir a equipe. Fernando Carvalho, ex-presidente que mantinha influência mesmo fora do cargo, também apoiava a escolha. Luigi precisou superar a resistência de Piffero, que mantinha reservas por causa do histórico de Tite no Grêmio.
Como a indicação se consolidou
Dirigentes e Tite se reuniram para discutir o futuro do clube, que ocupava a 17ª posição, com quatro pontos em cinco jogos, e a posição na tabela pressionava por uma definição rápida.
Tite expôs seu plano de trabalho e convenceu os presentes de que reunia as condições necessárias para liderar a reação. Piffero cedeu diante dos argumentos, e o acordo também trouxe de volta Carvalho como assessor, formando parceria com Luigi.
A estreia e a saída de Fernandão
Tite estreou no Inter contra o Botafogo e venceu por 2 a 1 no Beira-Rio, com gols de Edinho e Adriano. O resultado deu o alívio necessário para iniciar a arrancada rumo às posições mais tranquilas da tabela.
Naquele dia, porém, o clube recebeu de surpresa a notícia da venda de Fernandão ao Al-Gharafa, do Catar, quatro anos depois de o atacante ter assinado com o Colorado. A vitória na estreia ajudou a amenizar o impacto da perda do centroavante.
O elenco que ergueu a taça
Com a saída do camisa 9, Tite apostou em D’Alessandro, que comandaria uma nova fase ofensiva do time ao lado de Alex e Nilmar. O trio se tornaria central na conquista da Sul-Americana, em um esquema com quatro zagueiros para dar solidez à defesa.
A vitória por 1 a 0 sobre o Estudiantes, no jogo de ida da final, já havia convencido até os mais resistentes à chegada do técnico. Piffero elogiou publicamente a capacidade de Tite de manter a equipe compacta mesmo quando o time ficava com dez jogadores em campo.
No ano seguinte, sem Alex (vendido para o Spartak Moscou), o Inter conquistou o Gauchão com goleada de 8 a 1 sobre o Caxias, mantendo a mesma base. O técnico também alcançou vice-campeonatos da Copa do Brasil e da Recopa naquele ano, mas não repetiu o sucesso no Brasileirão e foi demitido.
Quase duas décadas depois daquela campanha, Tite volta ao Beira-Rio do outro lado do campo, agora com a missão de tirar pontos de um Inter que briga contra o rebaixamento.
Tite teve uma passagem marcante pelo Internacional entre 2008 e 2009, período em que comandou a equipe em 109 partidas, com 58 vitórias, 24 empates e 27 derrotas. À frente do Colorado, conquistou três títulos: a Copa Sul-Americana de 2008, a Copa Suruga Bank de 2009 e o Campeonato Gaúcho de 2009.
A conquista continental foi o principal destaque de sua trajetória no clube, com o Inter superando o Estudiantes, da Argentina, na decisão da Sul-Americana. O treinador deixou sua marca na história colorada ao conduzir a equipe a títulos internacionais e estaduais, consolidando uma passagem de resultados expressivos no Beira-Rio.