O novo técnico do Internacional, Eduardo Baptista, deve montar a equipe com um sistema de três zagueiros, alas ofensivos e mais espaço para a criação de meias como Alan Patrick. Ele já iniciou os trabalhos no CT Parque Gigante nesta quarta-feira e tem cerca de duas semanas de treinos pela frente até o primeiro compromisso oficial, diante do Corinthians, em 7 de outubro, no Beira-Rio.
Na avaliação da direção colorada, pesaram a favor de Baptista fatores como a regularidade de resultados ao longo da carreira recente, o histórico de reações rápidas à frente das equipes e o encaixe entre seu esquema tático e as características do grupo à disposição.
Desde 2023, o técnico acumula 230 pontos em 136 jogos na Série B. O aproveitamento de 56,4%, se repetido no Brasileirão, levaria o clube a 50 pontos ao fim da competição.
O esquema base de Baptista
O sistema preferido é o 3-4-3, que pode variar para o 4-2-3-1 e favorece atacantes e meias. Nos últimos três anos, o treinador priorizou formações com alas ofensivos e linha defensiva com cinco jogadores. Modelo que o departamento técnico vê como compatível com o elenco colorado — especialmente com jogadores como Vitinho, Bernabei e Alan Patrick.
A organização defensiva é uma das marcas registradas do trabalho de Baptista. No Novorizontino, ele comandou a defesa menos vazada da Série B. No Criciúma, onde chegou em maio de 2025 com o clube na 15ª colocação, conseguiu uma reação imediata que levou o time a disputar o acesso até a última rodada.
A direção valoriza a capacidade de Baptista de organizar o sistema defensivo sem limitar a criatividade no ataque.
Os desafios táticos para o Colorado
As próximas duas semanas de treino definirão como Baptista aproveitará nomes como Bruno Gomes, Bernabei e Vitinho. Bruno Gomes, titular absoluto desde o ano passado, pode seguir como terceiro zagueiro, retornar ao meio-campo ou ocupar a lateral direita. Se sair da zaga, Victor Gabriel ou Juninho podem compor o trio defensivo com Mercado e Maripán.
Bernabei se destaca no apoio, mas ainda apresenta limitações na marcação. Por isso, uma opção é recolocá-lo como ala esquerdo, contando com a proteção de três zagueiros, enquanto outra alternativa é mantê-lo como meia-atacante ou ponta-esquerda. Vitinho, por sua vez, segue como opção tanto de ala quanto de ponta direita com mais liberdade para ingressar na área. A formação final dependerá das escolhas de Baptista sobre essas posições.
O debate sobre o centroavante
A questão do ataque permanece em aberto: usar ou não um centroavante de ofício. Se optar por um “9” tradicional, Baptista pode dar nova chance a Sanabria, recentemente contratado, ou resgatar Alerrandro.
A alternativa é manter Alan Patrick como homem mais avançado, em uma espécie de “falso 9”, solução que se alinha com a liberdade criativa que o treinador costuma oferecer a seus meias.
A avaliação da direção é que o modelo de Baptista — com destaque para a bola parada, onde seus times apresentam índices acima da média da Série B — potencializará justamente esse tipo de jogador.
A entrada em campo do novo técnico marca o início de um ciclo tático diferente no clube, com duas semanas para consolidar as ideias antes do retorno do Brasileirão.



