O Internacional vivenciou em 2016 seu rebaixamento mais dramático da história recente, terminando o Brasileirão na 17ª posição com 43 pontos conquistados em 11 vitórias, 10 empates e 17 derrotas. Quarenta atletas passaram pelo Beira-Rio naquela temporada de turbulência, entre jogadores já integrados ao elenco e reforços trazidos em tentativas desesperadas de reação.
D’Alessandro não compôs o grupo porque estava emprestado ao River Plate no início de 2016, privando o time de seu principal líder técnico e capitão. A ausência do camisa 10 representou um vácuo de experiência que marcou profundamente a campanha desastrosa.
Os nomes que enfrentaram o colapso
Entre os goleiros escalados estava Alisson, que dividiria funções com Danilo Fernandes, Marcelo Lomba, Muriel e Jacsson. Na zaga, Paulão e Ernando encabeçavam uma defesa frágil, ao lado de Alan Costa, Leandro Almeida e Eduardo Bauermann.
As laterais tiveram circulação de Ceará, William, Geferson, Artur e Paulo Magalhães, alguns deles apontados como aqueles que melhor se comportaram individualmente apesar do fracasso coletivo.
O meio-campo reuniu um mosaico de perfis: desde veteranos experientes como Rodrigo Dourado até jovens em formação. E contratações emergenciais como Luis Manuel Seijas, Fernando Bob, Jair, Anderson, Alex, Valdívia, Andrigo, Nílton, Anselmo, Fabinho, Eduardo Henrique, Gustavo Ferrareis e Raphinha.
No ataque, Vitinho emergiu como principal esperança com oito gols no Brasileirão, dividindo espaço com Eduardo Sasha. E uma bateria de atacantes que nunca conseguiu estabilidade: Aylon, Nicolás López, Ariel Nahuelpán, Brenner, Alisson Farias, Bruno Baio, Diego Gonçalves, Marquinhos e Mike.
Trajetórias que brilharam depois do Inter
Após deixar Porto Alegre, alguns daqueles jogadores alcançaram auge que jamais teriam conseguido em 2016. Alisson se tornou um dos melhores goleiros da atualidade, conquistando Champions League e Premier League pelo Liverpool, enquanto Vitinho conquistou Libertadores e Brasileirão pelo Flamengo.
Jair trilhou caminho semelhante, vencendo Brasileirão, Copa do Brasil e Supercopa com um clube de Minas Gerais. Eduardo Sasha também se tornou bicampeão mineiro em 2021, tanto no Brasileirão quanto na Copa do Brasil. Esses exemplos revelam que o grupo não carecia de qualidade técnica — faltavam estabilidade, confiança e o encaixe correto das peças no momento certo.
Quem permaneceu na reconstrução colorada
Nem todos partiram imediatamente, e Danilo Fernandes, Marcelo Lomba, Paulão, Ceará e Rodrigo Dourado permaneceram no Inter durante os anos seguintes, formando a base da reconstrução pós-queda. Ceará encerrou a carreira no clube em 2017, enquanto Dourado seguiu até 2022, tornando-se referência de identidade com a torcida pelos anos de dedicação após aquele episódio traumático.
Anderson, Alex, Nílton e Ernando também encerraram suas trajetórias profissionais posteriormente, fechando cada qual um capítulo particular dentro daquela geração marcada pela crise.
Um retrato de contraste uma década depois
O elenco de 2016 virou um espelho de paradoxos: jogadores revelados internamente pela base do clube, veteranos experientes trazidos na esperança de salvação e contratações de emergência dividindo o mesmo vestiário em um ano de convulsão.
Uma década depois, fica evidente que talento não faltava àquele grupo — faltou a combinação de circunstâncias que transformasse potencial em pontos ganhos no campo. Alisson, Vitinho e Jair são a prova de que aqueles 40 homens carregavam capacidade real, mesmo que o resultado imediato tenha sido a maior tragédia recente da história colorada.



