A chegada de Eduardo Baptista ao Inter traz o peso do legado do pai, Nelsinho Baptista, que deixou marcas profundas no clube gaúcho ao sair em 1996.
Na ocasião, o treinador deixou o Beira-Rio para assumir o comando do Corinthians e declarou que estava “indo para um clube grande”. A frase marcou os torcedores colorados por décadas e tornou sua saída um episódio de polêmica. Anos depois, o próprio Nelsinho admitiu que a declaração irritou o ambiente colorado, embora tenha tentado relativizá-la.
Segundo Nelsinho, sua intenção era apenas destacar o tamanho do Corinthians, sem a intenção de diminuir o clube gaúcho. Ainda assim, o rompimento entre as partes acabou piorando por conta de pendências financeiras: o Internacional teria suspendido o custeio do apart-hotel em que o treinador vivia e o pagamento das parcelas de um Mercedes-Benz que fazia parte do acordo de contratação.
O desempenho que não ajudou
Os números de Nelsinho à frente do time reforçaram a rejeição da torcida. Ao longo de 27 partidas comandando o time, ele venceu 10, empatou nove e perdeu oito. No Campeonato Brasileiro, a campanha foi ainda mais irregular, com três vitórias, três empates e quatro derrotas. A despedida ocorreu justamente em um Gre-Nal, encerrado com derrota do Internacional para o Grêmio.
Quando o nome de Nelsinho voltou a circular em 2008 como possível substituto de Abel Braga, a torcida resistiu. A frase de 1996 ainda estava viva na memória colorada e impediu seu retorno ao comando técnico.
Agora é a vez de Eduardo no Inter
Aos 54 anos, Eduardo Baptista entrou no radar da direção colorada. O Inter apresentou uma proposta para tirá-lo do Criciúma, clube que ele dirige na Série B. As negociações estão em andamento, e a definição é esperada após o duelo entre catarinenses e Operário-PR nesta terça (22), pela segunda divisão nacional.
De acordo com Zero Hora, a oferta do Inter é vista como atrativa, e há a possibilidade de o treinador deixar o Criciúma para fechar com o clube gaúcho independentemente do que acontecer contra o Operário-PR.
Ao longo da carreira, o treinador passou por clubes como Fluminense, Palmeiras, Ponte Preta, Athletico-PR, Atlético-GO e Juventude. Mesmo que o Criciúma vença o Operário-PR, Eduardo Baptista corre risco de demissão por mau resultado. A equipe caiu de desempenho e ocupa a quinta colocação, o que mantém aberta a possibilidade de um acerto com o Inter.
A chegada de Eduardo também traz a necessidade de superar a imagem associada à frase de 1996, pronunciada por seu pai e ainda lembrada pela torcida colorada no Beira-Rio.



