Os jogadores da Dupla Gre-Nal que compraram a licença falsa da AFA
Uma investigação jornalística revelou um esquema de comercialização irregular de licenças para treinadores vinculadas à Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA). Segundo reportagem de Joanna de Assis, publicada pelo UOL, ex-jogadores conhecidos do futebol brasileiro teriam recorrido ao serviço para obter os certificados sem passar pelo processo convencional de formação.
Entre os nomes citados estão Felipe Melo e Diego Souza, que vestiram a camisa do Grêmio, além de Paolo Guerrero, ex-centroavante do Internacional. De acordo com a apuração, o esquema era conduzido pelo argentino Alejandro Mancuso, ex-volante que atuou por clubes como Flamengo e Palmeiras e também defendeu a seleção de seu país.
Mancuso ainda integrou a comissão técnica de Diego Maradona na Copa do Mundo de 2010. Ele procurava ex-atletas com carreiras de destaque e oferecia a possibilidade de conseguir as habilitações mediante o pagamento de R$ 100 mil, sob o argumento de que a experiência acumulada nos gramados justificaria um caminho mais rápido até a documentação.
A promessa incluía o envio, em aproximadamente dez dias, de quatro certificados da ATFA: a licença PRO, destinada ao âmbito internacional, a licença A, voltada ao futebol profissional, e as certificações B e C, relacionadas ao trabalho nas categorias de base. Além de Felipe Melo, Diego Souza e Guerrero, a lista de supostos clientes mencionada na investigação inclui nomes como Roberto Carlos, Thiago Silva, Alex, Petkovic e Paulinho.
Paolo Guerrero
O peruano defendeu o Internacional entre 2018 e 2021 e, aos 42 anos, segue em atividade no futebol, atuando pelo Alianza Lima, de seu país natal. Conforme a reportagem, o ex-atacante colorado também teria aceitado a oferta de Mancuso e desembolsado R$ 100 mil para conseguir as licenças de treinador por meio do procedimento investigado.
Em setembro de 2024, Guerrero comentou publicamente que já possuía as certificações e explicou que ainda precisava se preparar melhor antes de considerar uma carreira à beira do campo. Na ocasião, durante participação no podcast Enfocados, afirmou:
” Já tenho a licença de treinador. Tenho todas elas: A, B, C e PRO. Não sei se eu serei treinador, mas tenho elas para caso eu queira em algum dia. Mas terei que me capacitar melhor, ir à Europa, ver treinamentos.”
A declaração foi feita antes de a investigação sobre a obtenção irregular das licenças ganhar repercussão. O caso colocou sob questionamento o procedimento utilizado para conceder as habilitações e envolveu ex-jogadores que, após encerrarem ou se aproximarem do fim de suas carreiras como atletas, poderiam considerar a possibilidade de trabalhar como treinadores.