Os bastidores do Inter já viviam um clima de tensão, e o revés por 3 a 2 diante do Santos, no Beira-Rio, deu ainda mais força a uma movimentação de oposição que vinha sendo costurada. Setores contrários à atual gestão formalizaram junto ao Conselho Deliberativo a solicitação de uma reunião extraordinária, que deverá acontecer no prazo de 48 horas, para tratar dos rumos políticos do clube e cobrar mudanças urgentes na área de futebol.
Cotado para disputar a presidência do Inter na eleição de fim de ano, Roberto Melo, representante do Movimento Inter Grande, cobrou uma resposta urgente da diretoria colorada.
“O Inter precisa reagir. Agora! Diante da grave crise financeira e esportiva que o clube atravessa, não há espaço para silêncio ou omissão. Estamos requerendo a convocação imediata de uma Reunião Extraordinária de Emergência do Conselho Deliberativo para que a gestão apresente a real situação do Inter e um plano concreto para enfrentar a crise. É hora de responsabilidade. É hora de agir. É hora de defender o Inter”, afirmou Roberto Melo.
Os principais alvos da pressão interna
Entre os nomes mais contestados estão o técnico Paulo Pezzolano, o diretor de futebol Fabinho Soldado e o presidente Alessandro Barcellos. A proposta é que a diretoria apresente respostas concretas diante do momento mais delicado do clube nos últimos anos, tanto dentro quanto fora de campo.
Barcellos vive seu segundo mandato chegando ao fim, mas enfrenta pedidos abertos de renúncia antecipada. Segundo apurou o repórter Alexandre Ernst, uma união entre diferentes movimentos de oposição para retirá-lo do cargo antes do previsto não está descartada.
O presidente foi muito xingado durante toda a partida contra o Santos e ouviu de diversos setores do estádio pedidos diretos de renúncia. A insatisfação também recai sobre Fabinho Soldado e Paulo Pezzolano, incluídos entre as pautas que a oposição quer discutir na reunião solicitada ao Conselho Deliberativo.
Protestos extrapolam o verbal no estádio
A revolta nas arquibancadas ultrapassou os limites do protesto verbal após o apito final. O resultado negativo diante do Santos, que veio logo depois da eliminação para o Grêmio na mesma semana, fez a torcida voltar a protestar no entorno do Beira-Rio. Um grupo de colorados se reuniu na passarela que fica sobre o estacionamento do estádio, caminho usado pelos jogadores para deixar o local.
Os torcedores forçaram a entrada pelo portão de acesso, mas seguranças do clube conseguiram bloquear a passagem e fechá-lo a tempo.
Houve também confusão no pátio do estádio, com gradis derrubados, o que exigiu a intervenção da Brigada Militar e o acionamento do Batalhão de Choque para isolar o perímetro. Ao canal de Alexandre Ernst, o integrante da Camisa 12 Bruno disse que os diferentes grupos de torcedores devem se articular para sustentar manifestações todos os dias enquanto Barcellos permanecer no cargo.
Situação esportiva agrava a crise política
O Inter segue mergulhado na zona de rebaixamento com riscos crescentes de queda para a segunda divisão. O próximo jogo é no sábado, fora, contra a Chapecoense. Paulo Pezzolano seguirá no cargo após a derrota para o Santos, conforme apurado pela edição.
Enquanto o Conselho Deliberativo não responde formalmente aos pedidos de reunião extraordinária, o clube segue sem anunciar mudanças na condução do futebol. A pressão cresce tanto nas ruas quanto nos bastidores, com a torcida determinada a manter a pressão diária sobre a gestão até que haja respostas concretas para a crise.



