Um dia antes desta publicação, a Federação Gaúcha de Futebol se manifestou contra a possibilidade de o governo federal proibir as casas de apostas, medida que estaria prevista em uma Medida Provisória ainda em estudo. No documento, escudos de clubes gaúchos aparecem reunidos em apoio a um mercado que, segundo a entidade, deve continuar regulado e fiscalizado.
Grêmio, Inter, Juventude e outros clubes do estado, como Guarany de Bagé, Veranópolis, Brasil de Farroupilha, Santa Cruz, Gramadense, Avenida e Passo Fundo, além da APAFUT, deram seu aval ao texto. A mobilização gaúcha veio na sequência de manifestações semelhantes feitas por clubes de outras regiões do país.
Antes disso, conforme apurou o Metrópoles, um grupo de onze clubes da Série A e três federações estaduais já havia se posicionado contra o fim das bets. A avaliação desses clubes e federações é a de que proibir as apostas empurraria consumidores para o mercado ilegal e comprometeria financeiramente parte das equipes, ainda de acordo com o levantamento do Metrópoles.
Manifesto do futebol pelo mercado responsável de apostas
— Federação Gaúcha de Futebol (@OficialFGF) 18 de setembro de 2026
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Receita fundamental para o futebol
Segundo o texto divulgado, o dinheiro das apostas legalizadas passou a ocupar um lugar de destaque no financiamento do futebol nacional, sendo hoje uma das bases econômicas do setor. Times de menor porte, competições de acesso e disputas com pouca visibilidade comercial recorrem a essas verbas para se manter financeiramente viáveis.
Esse suporte financeiro ajudou o futebol nacional a ganhar espaço em torneios continentais como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana. Parte da força dos clubes brasileiros nessas competições vem da estrutura de patrocínio construída nos últimos anos.
Defesa da regulamentação e fiscalização
A Federação Gaúcha defende o combate às plataformas clandestinas e o reforço dos mecanismos de controle do Estado. Segundo o texto, a saída está em investir mais em educação, prevenção e nas regras de proteção já existentes, sem inviabilizar o mercado legalizado.
A Lei 14.790, de 2023, regulamentou o setor de apostas no Brasil e incluiu os jogos virtuais entre as modalidades permitidas. A Medida Provisória em discussão pretende revogar justamente o trecho que autoriza esses jogos, sem mexer nas apostas esportivas. A mudança pesaria sobretudo sobre os clubes que vivem dessa receita para se manter competitivos.
Posição do Inter e reação do Grêmio
O Inter aparece entre os clubes listados no manifesto, mas o próprio time evitou confirmar se de fato participou da iniciativa. Ao ser questionado pela reportagem, o Colorado afirmou que é preciso lidar com os efeitos sociais gerados pelas apostas e que teme os impactos que mudanças na regulamentação atual poderiam causar no financiamento do futebol.
O Grêmio, por sua vez, assinou tanto o manifesto gaúcho quanto o comunicado nacional lançado na quinta-feira (17). A Medida Provisória segue em análise e deve ser publicada na terça-feira (22), caso receba o aval do presidente Lula.
O desfecho dessa discussão vai definir se clubes de menor porte, como os que assinaram o manifesto gaúcho, mantêm uma fonte de receita que hoje sustenta boa parte de suas operações.


