Oito anos depois de deixar o Flamengo para jogar pelo Internacional, Paolo Guerrero continua envolvido em uma disputa judicial com o Rubro-Negro, que teve novos desdobramentos.
O atacante peruano, de 42 anos, acusou o clube de buscar vingança por meio de um pedido de indenização. E afirmou que a ação representa má-fé e uma tentativa de transferir os riscos econômicos da instituição para o atleta.
A defesa de Guerrero sustenta que o Flamengo pretende atribuir ao jogador “o Flamengo pretende atribuir ao atleta consequências econômicas amplas, incluindo a perda de título ou premiação, redução do número de associados, diminuição de vendas, prejuízos com ingressos e impactos sobre patrocínios, com mera intenção de ‘se vingar’ de sua frustração por não ter obtido sua renovação com o atleta, tentando, da pior forma, em mais absoluta e inequívoca má-fé, transferir o risco de sua atividade econômica ao jogador”.
As duas partes informaram à Justiça que buscam um acordo para encerrar o litígio.⚠️ Flamengo e Guerrero fazem acordo para encerrar disputa judicial de oito anos.
— Planeta do Flamengo 🌎 (@fla_infos) 15 de setembro de 2026
O clube cobrava cerca de R$ 2 milhões do ex-atacante em dois processos, mas acumulou derrotas na Justiça.
Os valores do acordo são sigilosos, e o Flamengo desistiu de uma das ações.
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A trajetória de Guerrero no Internacional
Guerrero chegou ao Inter em agosto de 2018 cercado de expectativa. Apresentado como uma das principais referências ofensivas do futebol sul-americano, o peruano recebeu a camisa 79 em alusão ao último título brasileiro conquistado pelo clube até então.
Sua estreia, porém, foi adiada. Suspenso por doping, o atacante não pôde jogar no restante de 2018 e só entrou em campo em abril de 2019, quando o Colorado enfrentou o Caxias pelo Campeonato Gaúcho.
Guerrero marcou em seu primeiro jogo e viveu sua melhor temporada com a camisa colorada em 2019, com 20 gols em 41 partidas, e foi o artilheiro do Inter naquele ano.
Em 2020, sob o comando de Eduardo Coudet, o centroavante marcou 10 gols em 15 partidas, até sofrer uma grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito, em agosto. Em três temporadas pelo Colorado, somou 72 jogos e 32 gols e participou de apenas 34% das partidas disputadas pela equipe no período.
Os processos na justiça
Dois processos que envolvem o atacante e o Flamengo tramitam na Justiça do Rio de Janeiro. Em um deles, o clube cobra uma indenização de R$ 200 mil por danos morais e também acionou a Federação Peruana de Futebol.
O processo demorou a avançar porque os réus tinham endereço no Peru, o que exigiu vários pedidos da Justiça carioca aos tribunais peruanos para citá-los.
No segundo processo, o Flamengo foi derrotado em diferentes instâncias e condenado a pagar ao atleta 10% do valor da causa — R$ 180 mil — em honorários advocatícios. O caso está no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, onde o Rubro-Negro tenta reverter as decisões das instâncias inferiores.
Em agosto deste ano, clube e jogador anexaram uma petição conjunta na qual informaram que negociam um acordo e pediram a suspensão do julgamento.
A polêmica da saída do Flamengo
A trajetória de Guerrero no Flamengo se estendeu de maio de 2015 a agosto de 2018 e terminou de forma conturbada. O atleta foi suspenso pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) por 14 meses após testar positivo para um metabólico da cocaína, tendo sido liberado para jogar mediante efeito suspensivo.
Guerrero argumenta que o clube sustentou que a responsabilidade pela ingestão da substância era exclusiva da Federação Peruana. Segundo ele, uma nutricionista contratada pela entidade peruana, que supervisionou todo o episódio, teria indicado um medicamento proibido, e ele tomou um chá indicado pela profissional.
Após a saída do peruano, o Flamengo abriu dois processos judiciais. Em um deles, cobrava R$ 1,8 milhão como devolução de valores gastos durante os 120 dias da suspensão, alegando que o jogador “arranhou” a imagem do clube e impediu a instituição de “usufruir” de seus direitos de imagem.
O Flamengo foi procurado para responder às acusações de Guerrero, mas não se pronunciou. O peruano, de 42 anos, continua em atividade no Alianza Lima, clube de seu país.



