Caso queira devolver Matheus Cunha, Inter terá de pagar salários até junho de 2027
Obrigação permanece mesmo que o goleiro não atue, já que o contrato não prevê rescisão antecipada sem custo.
Créditos: Ricardo Duarte/Internacional Mesmo que resolva devolver o goleiro Matheus Cunha ao Cruzeiro, o Internacional continuaria obrigado a arcar com os salários do atleta até junho de 2027. O contrato de empréstimo firmado pelos dois clubes não prevê o encerramento antecipado do vínculo sem a manutenção dessa obrigação financeira.
Isso porque o compromisso financeiro assumido no empréstimo se estende até o fim do prazo combinado, independentemente de a diretoria colorada optar por dispensar o atleta antes disso. A obrigação vale independentemente de o goleiro continuar ou não no elenco.
Empréstimo de Matheus Cunha ao Internacional não tem cláusula de devolução antecipada
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) 21 de outubro de 2026
Mesmo que o Colorado queira devolver o goleiro ao Cruzeiro antes do fim do contrato, terá de manter os pagamentos do contrato até JUNHO DE 2027.
A possibilidade de devolução foi levantada pela… pic.twitter.com/UsH1ctU184
Pressão da torcida motivou debate sobre saída
A ideia de antecipar o fim do empréstimo passou a ser discutida pela imprensa esportiva gaúcha, reflexo do momento recente do goleiro. Os torcedores intensificaram as cobranças após uma série de erros do jogador, o que elevou a pressão sobre a comissão técnica num momento em que o clube tenta escapar do rebaixamento no Brasileirão.
Mesmo nesse cenário, o Inter não pode desfazer o acordo com facilidade. O contrato não tem o dispositivo que permitiria uma rescisão sem custo, e isso restringe as alternativas do clube gaúcho caso queira encerrar o acordo antes da data combinada.
Questão financeira pesa tanto quanto a técnica
A discussão sobre o goleiro não se resume ao desempenho em campo. A questão financeira também pesa: manter o jogador no elenco e negociar sua saída com o Cruzeiro são opções com custos diferentes para o Inter.
Enquanto não houver um entendimento formal entre as diretorias, o contrato segue valendo exatamente como foi assinado. Isso trava qualquer decisão unilateral do Inter e condiciona os pagamentos ao calendário já estabelecido entre os dois clubes.
Falhas recentes aumentaram o desgaste
O retrospecto de Matheus Cunha na temporada de 2026 ajuda a explicar o clima pesado em torno do nome dele. Contra o Remo, no Beira-Rio, o goleiro errou na montagem da barreira e não evitou a cobrança de falta que selou o empate por 1 a 1 pelo Brasileirão.
Dias depois, diante do Bahia, uma rebatida mal colocada no meio da área permitiu que o rival aproveitasse o rebote e marcasse.
Na Copa do Brasil, o desgaste cresceu ainda mais. Na derrota por 3 a 1 para o Grêmio, nas oitavas de final, ele foi apontado como um dos responsáveis pelo segundo gol gremista ao deixar a bola escapar pela pequena área.
Depois, contra o Santos, não conseguiu segurar uma cobrança de pênalti em jogo que terminou com derrota colorada por 3 a 2.
Expulsão contra o Mirassol agravou o cenário
O momento mais grave da sequência aconteceu no duelo contra o Mirassol, no dia 16 de outubro. Aos 14 minutos do primeiro tempo, o goleiro deixou a área, atingiu o atacante adversário Bruno Santos e recebeu cartão vermelho direto.
Com a saída precoce do goleiro, Eduardo Baptista precisou mexer no time, e Kauan Jesus acabou estreando como profissional ainda na mesma partida. Jogando a maior parte do confronto com um homem a menos, o Inter acabou derrotado por 2 a 0 e seguiu na zona de rebaixamento.
Na temporada de 2026, considerando todas as competições, Matheus Cunha havia disputado 16 partidas pelo clube, segundo levantamento do 365Scores. A permanência do goleiro no Beira-Rio, portanto, segue atrelada tanto ao desempenho dentro de campo quanto ao peso financeiro de um contrato que só se encerra em junho de 2027.
Por que o clube não consegue se livrar das obrigações financeiras
O contrato de empréstimo vincula os dois clubes até a data estabelecida. Ao assiná-lo com o Cruzeiro, o Internacional assumiu compromissos financeiros para todo o período, até junho de 2027, mesmo que Matheus Cunha não atue pelo clube. Como não há cláusula de devolução antecipada, o acordo não prevê o encerramento sem custo.
Uma tentativa unilateral poderia deixar o Inter em posição juridicamente frágil, obrigado a pagar os salários sem contar com o goleiro.