O emprego de Paulo Pezzolano corria risco real no confronto contra a Chapecoense na rodada passada. Uma derrota significaria sua demissão — e os números explicam por quê. Depois que o Brasileirão foi retomado após a pausa para a Copa do Mundo, o time colorado passou a render muito menos, o que empurrou o clube para a zona de rebaixamento e aumentou o desgaste em torno do comando técnico.
Até maio, quando a competição foi interrompida, o Inter somava 21 pontos em 18 jogos, com cinco vitórias no retrospecto. Esse retrospecto representava um aproveitamento de 38,8%, número que hoje seria suficiente para ocupar a 15ª colocação. A pressão sobre o treinador nunca havia sido tão forte quanto depois da pausa.
O colapso após o retorno
A volta trouxe reforços e seis semanas de treinos sem competição oficial. Ainda assim, o Inter conquistou apenas uma vitória em nove confrontos desde então. O triunfo sobre a Chapecoense em Chapecó (2 a 1) encerrou o jejum no returno, mas o aproveitamento do período permanece em 25,9%, praticamente o mesmo da lanterna.
A diferença entre os dois períodos é grande: de 38,8% para 25,9%. A queda não era apenas um número na tabela: representava ameaça ao emprego, tensão no vestiário e esperança abalada entre os torcedores colorados. Pezzolano reconheceu estar em débito com a torcida após o confronto em Chapecó e minimizou a possibilidade de ser substituído no comando.
Problemas além do campo
Os números ruins em campo ganharam companhia de problemas administrativos. O Inter foi notificado sobre um segundo transfer ban em apenas um mês, punição imposta por atraso no pagamento a um clube estrangeiro. A situação financeira do clube ganhou respiro quando Delcir Sonda doou 20 milhões para colocar os salários em dia, alívio que melhorou o ambiente interno.
O resultado positivo em Chapecó tirou o Inter da zona de rebaixamento do segundo turno e devolveu fôlego ao elenco. Pezzolano enfatizou naquela ocasião que os resultados vinham antes da qualidade do futebol — e que seguiria trabalhando para somar pontos, mesmo que o desempenho não melhorasse de imediato.
A reta final e o que é preciso
Restam 11 rodadas para o fim do Brasileirão. Sair da zona de rebaixamento já na próxima rodada depende de o Inter vencer o São Paulo, no sábado à noite, no Morumbi, e ainda torcer para que os principais rivais na briga contra o descenso percam pontos.
Recuperar o terreno perdido vai exigir um desempenho melhor do que o visto tanto antes quanto depois da pausa para a Copa. Com menos tempo disponível, o Inter terá que reagir logo nas rodadas finais, sob pena de cair para a Série B.



