A crise política que tomou conta do Beira-Rio em 2025 ganhou mais um capítulo decisivo nesta terça-feira. José Olavo Bisol não é mais vice-presidente de futebol do Internacional. Pressionado pela torcida, criticado nos bastidores e desgastado após uma temporada de enorme tensão, o dirigente oficializou sua saída por meio de um comunicado entregue ao Conselho de Gestão e posteriormente publicado nas redes sociais.
Bisol, que assumiu o cargo no início da gestão atual, conviveu com um ano turbulento: o Inter lutou até a última rodada para evitar o rebaixamento, enfrentou problemas estruturais, mudanças de comando técnico, crises internas e um ambiente político cada vez mais dividido. A gota d’água, segundo pessoas próximas, foi o acúmulo de cobranças internas e externas após o fim dramático do Brasileirão.
No comunicado, o dirigente afirma que a decisão ocorreu após “profunda reflexão” e admite que 2025 foi um dos anos mais complexos da história recente do clube. Ele reconheceu responsabilidade direta pelos resultados abaixo das expectativas, destacando que a permanência na Série A apenas no último jogo é reflexo de falhas que precisam ser encaradas com seriedade.
Bisol também relembrou sua postura nos momentos de maior pressão, dizendo que sempre prezou pela transparência, esteve à frente do departamento e defendeu as decisões tomadas pelo clube dentro do contexto possível. Afirmou ainda que acredita que o Inter precisa de uma “oxigenação de ideias” para pacificar o ambiente, justificando que sua saída pode contribuir para um movimento de união institucional.
O dirigente agradeceu pela confiança, afirmou ter trabalhado com lealdade e amor ao clube e se colocou à disposição para auxiliar no processo de transição. Internamente, sua saída é vista como um movimento que abre espaço para a reformulação já esperada no departamento de futebol, que deverá ser anunciado em breve.
A demissão ocorre em um momento de extremo alerta. O clube enfrenta transfer ban da FIFA, dificuldades financeiras e a necessidade urgente de reconstruir o projeto esportivo para 2026. A queda de Bisol, pressionado por torcedores e lideranças políticas, é apenas o primeiro passo de uma reestruturação que promete mexer profundamente com os bastidores do Internacional.
O clima agora é de expectativa — e de cobrança. O Inter precisa reagir, e rápido.



