Gustavo Nonato Santana começou a driblar a bola na garagem de casa, em um condomínio fechado de Guarulhos, muito antes de vestir a camisa do Internacional.
O ex-volante colorado deu os primeiros toques brincando com vizinhos do prédio. Ali surgiu o AD Juvento, time montado pelos moradores que perdeu o “Somos rivais apenas em campo. Levanta a cabeça, sou um dos seus maiores fãs, te amo” do nome porque a letra não coube nas camisas feitas à mão pelos meninos.
Cada uniforme carregava o patrocínio das empresas das famílias envolvidas, entre elas a WG3, negócio dos pais de Nonato ligado à alta tecnologia para a indústria de eletrônicos em São Caetano. A sigla vem dos nomes do pai, Walter, e da mãe Gerceley, além dos dois filhos, Gustavo e Giovanna.
Apesar dessa paixão precoce pelo futebol, Nonato trilhou um caminho diferente da maioria dos garotos que se tornam jogadores profissionais.
As categorias de base e o profissionalismo
O primeiro passo rumo à carreira profissional começou em 2013, quando Nonato ingressou nas categorias de base do Corinthians. Esse foi o momento em que a família percebeu que o futebol deixava de ser apenas brincadeira. O pai do volante recorda o instante em que tudo ganhou outra dimensão.
O pai do volante lembra que foi ali que a família percebeu que a carreira estava ficando séria.
Dispensado anos depois, Nonato encontrou nova chance no São Caetano em 2015. Pelo clube, disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior, campeonatos estaduais de base e chegou a atuar como profissional nas séries A e A2 do Paulistão. Em maio de 2018, o Internacional contratou o volante por empréstimo.
O clube aprovou a adaptação e exerceu a opção de compra de 50% do atleta em setembro daquele ano.
A recepção em Porto Alegre e o apelido “The Lion”
A recepção em Porto Alegre marcou a família de Nonato. Gerceley conta que ele foi bem recebido e passou a considerar a cidade sua segunda casa. Ela agradeceu especialmente o apoio das assistentes sociais do clube e de companheiros como Heitor e Bruno Fuchs.
Na capital gaúcha, os cabelos esvoaçantes renderam a Nonato o apelido de “The Lion”.
A ligação com o personagem já existia desde criança, e a mãe conta que ele gostava de Rei Leão, usava uma fantasia, subia no sofá e rosnava. Para ela, é uma coincidência engraçada que ele tenha esse apelido hoje. Entre amigos, o apelido que realmente pegou foi “Somos rivais apenas em campo. Levanta a cabeça, sou um dos seus maiores fãs, te amo”, mas Nonato ficou conhecido por batizar os colegas com nomes inusitados.
A irmã do jogador, Giovanna, conhecida como Tuty, é atriz e dubladora e resume essa fama dizendo que Nonato é o rei dos apelidos e inventa um para cada pessoa.
Outras paixões e a expulsão que virou lição
A veia artística da irmã teve influência do próprio Nonato, que tocava teclado na infância. Hoje não toca instrumento, mas seu gosto musical atual é por reggaeton. Antes de se fixar no futebol, passou por outras modalidades: andou de skate, atuou como goleiro de handebol e se destacou no tênis de mesa.
A primeira temporada de Nonato pelo Inter teve saldo positivo em campo. Um episódio, porém, marcou o ano do volante: a expulsão durante o Gre-Nal 418, na derrota do Colorado por 1 a 0.
Matheus Henrique, adversário na falta que originou a expulsão, se manifestou horas depois em apoio ao amigo: “Somos rivais apenas em campo. Levanta a cabeça, sou um dos seus maiores fãs, te amo”. O pai de Matheus, João, ligou para Nonato e o convidou para comer um churrasco em sua casa, a fim de esquecer o episódio.
Nonato recusou, dizendo que não estava no clima, e o amigo Tarcisio Couto diz que todos sofreram, mas considera que a expulsão ajudou Nonato a amadurecer.



