Liliane Santos: Papo de Mulher

Foto: Divulgação
Paolo Guerrero
Nico Lopez
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Com certeza a expressão “sexo frágil” já foi ouvida referente ao gênero feminino, mas será isso verdade? O que é ser frágil ao seu ver?
No início do século passado, existiu uma lei no Brasil imposta no governo de Getúlio Vargas, que proibia a prática do futebol feminino, essa lei durou de 1941 até 1979.

O futebol feminino já foi até espetáculo de circo, por ser considerado bizarro e hoje vemos o verdadeiro espetáculo acontecer, quando entram as nossas meninas em campo com seus sonhos estampados no rosto, e o amor pelo futebol amarrado na chuteira. É de encher os olhos, por ver gurias, que lutaram dia a dia jogarem como verdadeiras Guerreiras!

A força de quem levantou 6 vezes a estatueta de melhor do mundo é de uma mulher brasileira, a nossa rainha, Marta. Deixando Cristiano Ronaldo e Messi atrás com 5.
Chorar nunca foi sinônimo de fragilidade, é força para recomeçar quantas vezes for preciso, “Chore no começo para sorrir no fim”. Frase dita por Marta em entrevista após a eliminação na Copa do Mundo Feminina na França contra as donas da casa.
Nossas meninas deram o seu melhor, mas por uma infelicidade a bola não entrou para marcar o empate. O jogo terminou 2×1. Lutar até o final, é isso que as mulheres fazem.
A taça acabou ficando com as Norte Americanas. Os EUA venceram as holandesas por 2×0 e levaram a Copa esse ano.

A audiência nessa copa Feminina bateu o recorde com 20 pontos e 48% de participação, na estreia da seleção brasileira contra a Jamaica, 10 pontos a mais do que as dos domingos anteriores que passavam o Campeonato Brasileiro. A audiência da TV Globo dobrou.
Foi a primeira vez que jogos da Copa do Mundo feminina foram transmitidos sem ser na TV a cabo e a resposta foi muito boa. Parece que todos estavam esperando esse momento.
O futebol, de modo geral, vem crescendo, no decorrer dos anos. O público está bem mais equilibrado entre homens e mulheres, tanto de telespectadores quanto aos que frequentam estádios.
Segundo um estudo da Kantar IBOPE Media, aponta que pelo menos 41% da audiência na televisão brasileira era composta por mulheres com predominancia da faixa etária entre 25 e 34 anos.

Conversei com a diretoria feminina do Internacional, sobre alguns assuntos relacionados ao futebol feminino e a mulher neste meio, lamentamos também o corte da Lateral colorada Fabi Simões da seleção Brasileira, Fabi chegou a ser convocada, mas teve uma lesão e por isso foi cortada da Copa do Mundo da França. Perguntei sobre o crescimento do futebol feminino, que há alguns anos não se imaginava que seria assunto principal das redes sociais.

“A realidade do futebol feminino está melhorando, mas ainda estamos muito atrasados. Podemos dizer que aqui na América a gente é superior ainda, mas quando vamos para o Mundial ou Olimpíada, é bem diferente. A gente não pode nem ter comparação. As meninas lá fora começam a jogar desde 6 anos de idade. Uma sugestão seria o governo ter um plano para o futebol feminino, nas escolas. As novas regras de licenciamento de clubes, para os clubes que desejam participar de torneios da CBF, da Conmebol e da Fifa, que precisam ter uma equipe profissional feminina própria – ou então associar-se a outro clube que já a possua, com certeza veio abrir novas janelas e é um grande passo para o crescimento”.

Quis então saber, qual a opnião delas sobre a atleta Formiga desde 95 em Copas, foram 7 torneios e porquê ocorria essa longevidade das atletas. A diretoria respondeu:
“A paixão veio no DNA depois teve disciplina, treino e preparo. Ela teve uma formação, mas é uma atleta educada. Fez do corpo dela uma ferramenta de trabalho fazendo o que gosta”.

Sobre a audiência a Diretoria do Internacional argumentou:

“Quanto a audiência: os números indicam que está no caminho. Mais do que uma vitória para igualdade de gênero, é uma grande jogada de marketing. A profissionalização do futebol feminino em alguns mercados, anda de mãos dadas com o aumento de interesse de grandes empresas.
Quanto o aumento do público feminino, leva-se em conta as campanhas dos Clubes, o reforço de uma diretoria feminina atuante e esta diretoria tendo total apoio nas suas ações. O público feminino a cada dia se torna maior, muitas vezes enfrentando desafios, diferenças e preconceitos, mas sempre se mantendo forte diante de tudo e vivendo a paixão que é o esporte. No Sport Club Internacional, mais de 22% do quadro social são mulheres, atualmente o clube com maior participação feminina.”

Por fim, encerrei as perguntando qual a importância da valorização da mulher no meio do futebol, um meio que ainda, é muito masculindo. E então a direção respondeu:

“A importância está lá no incentivo para as meninas na prática do esporte em busca da profissionalização e afirmando que o lugar das mulheres é onde elas quiserem. Vamos lá: Para um começo, mais visibilidade na mídia, incentivos, patrocínios e apoios. O ano de 2019 está trazendo um grande avanço na popularização e divulgação do futebol feminino no Brasil. Canais de TV aberta transmitirão o Campeonato Brasileiro feminino de 2019 e durante a Copa do Mundo de 2019 foi a primeira vez que a maior emissora de canal aberto do país, a Rede Globo, transmitiu as partidas da Seleção Feminina. Assim como foi também a primeira vez que as atletas jogaram com um uniforme desenvolvido especialmente para elas. Esse é um exemplo do descaso. Não é pura questão de se ganhar um título importante para o futebol feminino ser valorizado. Falta um olhar sem preconceito para se enxergar que o futebol também pode ser praticado pelas mulheres”. Disse a direção, que é composta por Mirella Ferrari a diretora, Claudia Santos assessora de imprensa, Débora Cravo, Marta Lempek e Paula Rabello.

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