O Internacional voltou a se colocar em uma situação delicada no Campeonato Brasileiro e, assim como aconteceu em 2025, chega às rodadas decisivas envolvido diretamente na briga contra o rebaixamento. Na temporada passada, o Colorado chegou à última rodada dentro do Z-4, na 18ª colocação, com 41 pontos, e precisou vencer o Bragantino no Beira-Rio, além de contar com uma combinação de resultados para evitar a queda.
O cenário de 2026 apresenta novamente o Inter entre os últimos colocados. Após 27 rodadas, a equipe ocupa a 18ª posição, dentro da zona de rebaixamento e pressionada pela necessidade de reagir na reta final.
Quando 2002 virou sinônimo de sobrevivência
Na 25ª rodada daquele campeonato, disputado por 26 clubes, o time gaúcho também estava dentro da zona de rebaixamento, somando 26 pontos. Uma combinação de resultados era a única saída, e a virada precisava vir de dentro de campo.
O ex-volante Claiton contou ao ge que a delegação viajou de forma discreta para Belém, dias antes do duelo contra o Paysandu, tentando escapar do clima pesado que já rondava o grupo.
Segundo ele, nomes como Clemer se uniram a jogadores da base para reforçar o compromisso coletivo com a permanência na elite, mesmo com salários atrasados e o vestiário dividido.
Dois gols garantiram o triunfo por 2 a 0 fora de casa: um de Librelato, que morreria dias depois em um acidente de carro, e outro de Fernando Baiano, que horas antes havia discutido com o zagueiro Luiz Alberto no intervalo de outra partida. Cláudio Duarte, técnico da equipe, manteve os dois em campo mesmo com o desgaste interno.
Tropeços de Palmeiras e Portuguesa completaram o quadro que livrou o Inter da queda naquele ano. Claiton reconhece semelhança direta com o momento recente do clube e reforça que cabe ao grupo atual cumprir sua parte, independentemente do que o resto da rodada reserva.
O rebaixamento inédito de 2016
Nem toda disputa contra o descenso teve final feliz para o Colorado. Um ano que começou com a conquista do hexacampeonato gaúcho terminou com a pior marca da história recente do clube.
Com 42 pontos na 17ª posição, a equipe precisava superar Vitória ou Sport para permanecer na Série A. Somente a vitória contra o Fluminense, disputada no Estádio Giulite Coutinho, em Mesquita, resolveria a situação — um simples empate já bastava para confirmar a queda.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu em 1990, quando o Inter teve nada menos que seis treinadores: Cláudio Duarte, Ernesto Guedes, Levir Culpi, Valdir Espinosa, Orlando Bianchini e Ênio Andrade. Depois de perder para o Bahia, o Colorado chegou às rodadas finais precisando vencer Portuguesa e Corinthians para escapar. Conseguiu. Bateu a Lusa por 1 a 0 no Beira-Rio e, posteriormente, derrotou o Corinthians por 3 a 0 no Pacaembu, resultado que garantiu a permanência na elite.
Em 1999, a salvação teve Dunga como protagonista. O Inter chegou à última rodada ameaçado pela queda e precisava vencer o Palmeiras para assegurar sua permanência. Em uma partida dramática no Beira-Rio, o volante marcou de cabeça aos 36 minutos do segundo tempo, após cobrança de falta de Celso, e decretou a vitória por 1 a 0. O resultado foi suficiente para livrar o Colorado do rebaixamento.
Já 2013 apresentou um roteiro diferente. O Inter começou o Brasileirão comandado por Dunga, mas uma sequência de quatro derrotas provocou a demissão do treinador. Clemer, então responsável pelas categorias de base, assumiu a equipe e conduziu o time até a última rodada, ainda sob risco de queda. O Colorado, porém, nunca entrou no Z-4 durante a competição e garantiu a permanência com um empate sem gols diante da Ponte Preta. Terminou o campeonato em 15º lugar, com 48 pontos.
