Formado nas categorias de base do Internacional, Carlos Miguel voltou a ser decisivo no momento mais crítico do Palmeiras nesta temporada: nas quartas de final da Copa Libertadores. O goleiro defendeu dois pênaltis e garantiu a classificação do Alviverde para as semifinais. Com isso, evitou uma eliminação que representaria o colapso do planejamento financeiro e esportivo do clube.
A campanha continental tem peso estratégico no projeto palmeirense. Uma queda nesta fase significaria o fracasso do investimento de R$ 35 milhões feito pela diretoria na contratação de Carlos Miguel, em agosto do ano passado. O goleiro tem vínculo até 31 de julho de 2030. A recompensa pela classificação chegou rápido: o Palmeiras embolsou US$ 1,7 milhão pelo avanço. A disputa de pênaltis visto da torcida.
— Gustavo Terini (@gustavoterini) 17 de setembro de 2026
Carlos Miguel tinha a famosa colinha dos batedores na sua toalha.
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De volta aos pênaltis e à confiança
A defesa nos pênaltis nas quartas consolidou a recuperação de Carlos Miguel após período turbulento.
O goleiro já havia sido decisivo na final do Paulistão. Ao defender uma penalidade de Robson no tempo normal, mas passou a ser questionado sobre a titularidade após atuações abaixo do esperado contra o Atlético-MG. Isso ocorreu no empate da ida das oitavas contra o Cerro Porteño e na rodada anterior da Copa do Brasil, diante do Fortaleza.
A comissão técnica e a diretoria mantiveram a confiança em Carlos Miguel como titular mesmo durante as oscilações. A decisão refletia uma avaliação que também levava em conta a trajetória do goleiro Marcos, que conviveu com altos e baixos sem perder o apoio institucional.
Após a classificação, Vitor Castanheira, dirigente do clube, disse em entrevista coletiva que a avaliação não se limitava ao atleta, mas incluía também o homem. Segundo ele, a equipe nem sempre atua no mesmo nível, mas o caminho passa por dedicação e foco. Carlos Miguel, afirmou, foi recompensado pelo que tem feito ao longo do tempo.
A defesa dos pênaltis justificou a permanência do goleiro como titular e preservou a unidade entre torcida, comissão técnica e diretoria.
Trajetória colorada e a profissionalização distante
Carlos Miguel chegou ao Internacional em 2016, após formação no Flamengo, e conquistou notoriedade na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2018. Com 2,04 metros de altura, chamou atenção desde cedo pelo porte físico e potencial defensivo: na Copinha, defendeu quatro pênaltis e ajudou a levar o Inter até as semifinais.
O desempenho resultou em contrato profissional naquele mesmo ano, mas as oportunidades no elenco principal nunca chegaram.
A concorrência pesada — Marcelo Lomba, Daniel, Danilo Fernandes e Vitor Hugo disputavam a posição — manteve o jovem goleiro longe do Beira-Rio. Os empréstimos para o Santa Cruz, em 2020, onde não disputou nenhum jogo, e para o Boa Esporte, em 2021, pelo qual fez oito partidas no Campeonato Mineiro, marcaram sua trajetória.
Em abril de 2021, o Internacional solicitou seu retorno e o reintegrou ao elenco para um período de observação, por considerar que havia amadurecido durante o empréstimo. Mesmo de volta ao clube, porém, Carlos Miguel encontrou forte concorrência e não teve oportunidades na equipe principal, e em agosto daquele ano, deixou o Colorado.
Em Varginha, conquistou sua primeira experiência profissional consistente, com uma atuação destacada contra o Atlético-MG no Mineirão, apesar do rebaixamento do Boa. Posteriormente, o Internacional voltou a solicitar seu retorno, mas a concorrência no elenco continuou a impedir sua afirmação na equipe principal.
Da base colorada ao destaque continental
Longe de Porto Alegre, Carlos Miguel ganhou projeção no futebol brasileiro e depois na Europa. Defendeu o Corinthians, foi contratado pelo Nottingham Forest em 2024 e retornou ao Brasil para defender o Palmeiras, onde finalmente se consolidou como goleiro de primeira linha e conquistou títulos.
O próprio Palmeiras registra a formação de Carlos Miguel nas categorias de base do Internacional, onde ele se profissionalizou em 2018, e sua carreira profissional, porém, começou distante do Colorado.
Com a classificação nas quartas, Carlos Miguel passa a carregar a responsabilidade de levar o Palmeiras mais longe. A meta da presidente Leila Pereira — ainda sem conquistar uma Libertadores em seus mandatos — ganha força cada vez que o goleiro aparece em momentos decisivos.
Para Abel Ferreira, é a chance de reconquistar a América após a derrota na final para o Flamengo no ano anterior. A torcida, que recentemente se mobilizou em campanha de apoio ao clube, poderia ver uma eventual eliminação romper o clima de unidade reconstruído. Ao defender dois pênaltis nesta terça-feira, Carlos Miguel salvou mais do que uma partida.



