Embora as maiores rivalidades do futebol brasileiro tradicionalmente envolvam clubes do mesmo estado, Corinthians e Internacional construíram, ao longo das últimas décadas, uma disputa que extrapolou fronteiras regionais. Confrontos decisivos, controvérsias de arbitragem e constantes trocas de provocações contribuíram para transformar o duelo em um dos mais marcantes do cenário nacional.
O ponto de partida dessa animosidade aconteceu durante o Campeonato Brasileiro de 2005. Naquele momento, o Internacional ocupava a liderança da competição quando veio à tona o escândalo envolvendo o árbitro Edilson Pereira de Carvalho. Como consequência das investigações, 11 partidas que haviam sido apitadas por ele foram anuladas e disputadas novamente.
A reviravolta alterou diretamente a tabela. O Corinthians assumiu a primeira colocação e chegou às rodadas finais disputando o troféu ponto a ponto com o clube gaúcho. Restando apenas três jogos para o encerramento do campeonato, as equipes se encontraram em um confronto que poderia definir os rumos da disputa. Uma vitória colorada igualaria a pontuação dos paulistas, enquanto um triunfo por três gols de diferença colocaria os gaúchos na liderança.
A partida
O jogo transcorria sem grandes discussões e permanecia empatado até a metade da etapa final. Foi então que ocorreu o lance que marcaria a história daquele campeonato. Tinga avançou pela área e se chocou com o goleiro Fábio Costa. O árbitro Márcio Rezende de Freitas entendeu que o meia havia tentado cavar uma infração, mostrou o segundo cartão amarelo e determinou sua expulsão, decisão que gerou forte contestação por parte dos colorados.
O empate por 1 a 1 manteve o Corinthians em vantagem na corrida pelo título. Na rodada derradeira, mesmo sendo derrotado pelo Goiás, o time paulista garantiu a conquista do Brasileirão. O Internacional ainda chegou à última partida com possibilidades matemáticas de levantar a taça, mas acabou sendo superado pelo Coritiba e viu o adversário confirmar a conquista nacional.
“O campeão é o Inter. Se fosse pelo campeonato correto, estaríamos na frente”, afirmou Muricy Ramalho, que comemorou a “conquista” no gramado com os jogadores. “Dentro de campo, nós vencemos. Agora, vamos aguardar pelo posicionamento do tribunal”, reiterou o presidente Fernando Carvalho



