Gabri Lemos: Hoje eu chorei, D’Ale

Foto: Ricardo Duarte / Inter
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Amizades que viraram namoro. Namoros que viraram noivados. Noivados que viraram casamentos. Casamentos que geraram pequenas coloradas e colorados. Pessoas que partiram, pessoas que chegaram. Pessoas que significaram muito e já não fazem parte de nossas vidas e novas pessoas que vieram para dar novos rumos. Muito aconteceu em 12 anos. Muita coisa mudou, exceto uma: você.

Desde quando chegou em Porto Alegre, com aquela jaqueta de couro e recepcionado nos braços de uma multidão, se dedicou ao amor de milhares. O respeito é algo que sempre prezou no clube e hoje o que temos a oferecer é a gratidão. Gratidão pelos 12 anos, por todas as vezes que a câmera focou em você e milhares se tranquilizaram.

Quantas crianças batizadas com seu nome nasceram e hoje jogam pelas canchas deste país tentando ser um pouquinho do que você é? Quantas mãos ficaram calejadas de tanto lhe aplaudir nos estádios pela América Latina? Quantas lágrimas você provou em milhares de torcedores, emocionados ao verem um domínio perfeito, uma assistência milimétrica, uma bola nas redes?

Hoje eu chorei, D’Ale. E há muito não me emocionava com o futebol. Lembro de, pequeno, ver você chegando por uma televisão de sei lá quantas poucas polegadas pela tela da TV Com. Naquela noite perdemos, mas pouco importou, pois ali começou uma história de amor que parecia sem fim – e é. Mesmo que seja a última vez, todo o carinho, gratidão e respeito de uma nação alvirrubra seguirão contigo aonde for. Seu nome será contado aos nossos filhos e nossos filhos contarão aos nossos netos. Contarão histórias sobre aquele gol de placa em 2014, contra o Peñarol. Sobre a batalha da Bombonera de 2008. Sobre o Rei da América. Sobre aquele que voltou e ajudou o clube a voltar para a elite.

2020 foi um ano difícil para todos. Perdemos pessoas. Sonhos foram destruídos ou adiados. Um ano que ficará para a história na parte negativa. E para finalizar, aquilo que sempre era debate nas rodas de churrasco e cerveja no Marinha, não vai acontecer. Quantas vezes já ouvimos ou falamos: “Bah, quando o home se aposentar vai ser triste, mas eu não perco por nada”. Não vai pendurar as chuteiras que tantas vezes abençoaram os gramados por onde pisou, mas vai se despedir da sua casa, o Beira-Rio. E nós não estaremos lá.

Sei que volta para ser aplaudido de pé em um Gigante em colapso com tantas almas desejando e implorando: “por favor, mais um lance”. Isso fica pro futuro. Até lá, obrigado. E obrigado por nos emocionar. É assim que as histórias são lembradas.

Gracias, meu velho amigo.

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