Gabriel Lemos: Visão peruana sobre o Inter antes e depois de Guerrero

"Quando chegou Guerrero, diferente das outras vezes que ele jogou em times brasileiros, a gente se empolgou mais pelas cores da camisa"

Conversei com Francisco “Chesco” Toledo, um peruano que é colorado. Ele ficou muito conhecido nas redes sociais na semana da partida do Inter contra o Alianza Lima, no Peru.

Chesco Toledo com Rafael Sobis, em Lima.  Foto: @chescotoledo

Chesco tem 24 anos e mora em Lima. Seu avô era torcedor do Benfica, de Portugal. Seu pai, por sua vez, preferia o futebol sul-americano. Como as cores do Internacional de Porto Alegre e do Benfica de Lisboa eram as mesmas, começou a acompanhar o clube gaúcho. Quando seu pai faleceu, Chesco seguiu a tradição de acompanhar os jogos do Inter.

Perguntei ao peruano qual era a visão que seus conterrâneos tinham do Internacional antes da chegada do ídolo de seu país, Guerrero. “Até 2018 a gente tinha só a lembrança de Martín Hidalgo jogando no mesmo time que Fernandão. Os peruanos só tinham essa imagem: Hidalgo com a bandeira peruana enquanto Fernandão carregava a taça do Mundial”, disse Chesco.

Martín Hidalgo, Yokohama em 2006. Foto: Mario Castro / El Comercio

Hidalgo foi jogador colorado na campanha da Libertadores de 2006. O peruano foi titular também no primeiro jogo do Mundial, contra o Al-Ahly.

“Quando chegou Guerrero, diferente das outras vezes que ele jogou em times brasileiros, a gente se empolgou mais pelas cores da camisa”, continuou. Paolo jogou no Corinthians e no Flamengo, antes de ir para o colorado.

“Nesses últimos anos temos uma espécie de ‘campanha’ feita pelo Estado para incentivar o amor pelas cores da bandeira, do hino, etc”, contou Chesco. A cores peruana, coincidentemente, é alvirrubra. “Tudo se misturou e acabou em ‘se Guerrero veste vermelho e branco, então vai dar certo'”, brincou.

Contudo, Chesco ainda faz críticas ao marketing do Inter. “Infelizmente o marketing do Inter aqui é 0, então se conseguir encontrar algum produto do Inter, só pode ser falsificado”. O peruano ainda comenta sobre a venda de produtos ao redor dos estádios. “Pela primeira vez conseguimos ver a venda de bonés, chuyos (boné andino) e camisas do Inter. Tudo nas ruas perto dos bares. Por apenas 20 soles (R$ 23,00) conseguia um boné. Os ‘novinhos’ pedindo para suas mães comprarem o boné do torcedor da TV ou o ‘quero aquele casaco’. Se alguém um dia vier para cá fazendo negócios com os produtos do Inter, vira rico”, brincou.

Ainda sobre Guerrero, segundo Chesco os peruanos acreditam que o camisa 9 irá se aposentar no Internacional. O objetivo da carreira do atleta seria a Copa Libertadores, troféu que ainda não possui.

Na relação de amor por Guerrero e o vermelho e branco, o Internacional fica em evidência e ganha as capas dos jornais quase toda semana. Certamente a chegada do artilheiro mudou completamente o nome do Internacional dentro do Peru.

 


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