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Nilmar sobre a depressão: "Eu só chorava. Por que comigo?"

Foto: Divulgação / Inter 

O atacante Nilmar deixou o Santos no final do ano de 2017, após três meses de clube. O jogador esteve em campo pela equipe Paulista somente nos confrontos diante do Coritiba e do Cruzeiro, atuando por 39 minutos. 

Em entrevista para o Esporte Espetacular, da Rede Globo, Nilmar falou ao ex-colega Roger Flores, com quem jogou no Corinthians em 2005. Ele explicou em que momento percebeu que poderia estar com depressão. 

"Eu relutei um pouco para falar sobre isso porque até pouco tempo atrás eu não me sentia confortável. Eu tive o apoio da minha família mas onde eu diagnostiquei mesmo foi quando eu cheguei ao Santos. Antes mesmo do jogo com o Cruzeiro, na verdade, duas semanas antes, eu vinha me sentindo diferente, até mesmo nos treinamentos, naquele momento da ansiedade de voltar a jogar. Eu vinha de um ano muito conturbado nos Emirados e acredito que isso possa ter sido um dos gatilhos. Mas esse dia específico foi o dia em que acabou desligando a chavinha, como eu costumo dizer. Eu desconectei totalmente e entrei naquele mar que é tipo uma bolha. Quem viveu isso sabe o que eu estou contando. Eu só chorava. Todos os sintomas que vocês puderem pesquisar, eu vivi; insônia, eu não conseguia dormir, mas isso já depois desse caso da concentração", disse. 

"Depois da concentração passei, dois dias no hospital, não diagnosticaram nada e entendi que eu precisava procurar os profissionais. O pessoal do Santos me auxiliou, colocou psicólogo, psiquiatra, comecei a fazer tratamento com medicação. Então aquilo para mim foi um choque muito grande. Eu sou um cara tranquilo e eu me cobrava muito em não querer estar naquela situação, foram três meses ali num processo muito difícil, só quem passa sabe a dor que é", completo Nilmar. 

"Hoje eu consigo ver que a gente passa uma imagem de super-herói paras pessoas e por trás de tudo, um atleta profissional é muito exigido, é muito cobrado, então sem dúvida nenhuma prejudica até certo ponto. Tudo aquilo que eu vivi foi para fortalecer mais ainda. Hoje estou dando valor às pequenas coisas, que às vezes a gente está num mundo de muito glamour e a gente acaba esquecendo as pequenas coisas da vida. Estou tomando esse tempo agora, melhorei, me reergui, estou mais presente com eles, meus filhos, me dá uma alegria que é estar mais presente. No futebol a gente não está junto por conta das viagens. Todo pai sonha em levar o filho para escolinha de futebol, levar pro colégio e ter finais de semana com eles, isso aí sem dúvida nenhuma me ajudou bastante. A minha esposa foi muito importante nesse momento", seguiu o jogador. 

A mulher do atacante também participou da entrevista e falou do momento vivido, ao ser questionada por Roger Flores se havia notado alguma diferença no atacante formado nas categorias de base do Internacional. 

"Quando voltamos ao Brasil ele estava com uma carga super forte de treinos. Dava para perceber que ele estava bem cansado, com a rotina de treinos que ele praticamente só tinha folga domingo à tarde durante 40 dias. Ele reclamava, dizendo que estava cansado por conta dos muitos treinos, dormia cedo, estava bem diferente, mas eu achava que era só cansaço. O estalo mesmo foi depois do jogo lá em Minas,em que ele me ligou e aí ficamos até às 4 da manhã, ele chorando no telefone, uma crise e eu não sabia o que estava acontecendo. Ele só chorava, fui pegar ele no aeroporto e dali partimos direto para o hospital porque ele reclamava que estava com o lado direito todo paralisado. Aí foi diagnosticado que não tinha nada e ele falava que a cabeça dele não estava boa, na verdade ele estava com receio de me contar que ele não sabia se queria jogar bola. Em duas semanas ele já estava com a ajuda do Santos, a psicóloga ia lá em casa, a gente teve bastante ajuda também por fora, médica e de alguns amigos, mas eu acho que o mais importante foi a gente ter diagnosticado muito rápido que era depressão. Depois dessa crise de choro, acho que em dez dias a gente já estava indo num psiquiatra". 

Para Nilmar, as duas lesões no joelho podem ter influenciado na doença. 

"Eu tenho quatro cirurgias no joelho, duas muito sérias que foram na época do Corinthians (em 2006 e 2007). E eu tinha 21 anos, então praticamente a minha carreira toda eu convivi com isso. Joguei em nove clubes. Para eu passar em qualquer exame médico, eram dois a três dias de exame porque tinha essa desconfiança. Entendo que a imprensa tem que informar, mas por eu ser atacante, o meu biótipo, fui tachado de frágil. Estigmatizado não sei, mas eu convivi com isso a minha carreira toda. Mas consegui ir a uma Copa do Mundo, jogar na Europa, realizar os sonhos que eu tinha de criança... de poder jogar na seleção brasileira, conquistar títulos. Foi uma carreira de altíssimo nível e eu sou feliz, o futebol me deu tudo na vida. Saí do interior e vim para cá para Porto Alegre há 20 anos", explicou. 

Para finalizar a entrevista, Nilmar também afirmou que hoje está mais próximo de anunciar a aposentadoria do que retornar aos gramados, uma vez que até o momento nenhum clube apresentou uma proposta que lhe agradasse. 

"Sem dúvida nenhuma. As pessoas me ligam para consultar e ninguém conseguiu ainda me passar algo que eu falasse que vale a pena, um lugar bacana, eu vou tentar".
Nilmar sobre a depressão: "Eu só chorava. Por que comigo?" Nilmar sobre a depressão: "Eu só chorava. Por que comigo?" Reviewed by Revista on abril 14, 2019 Rating: 5
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