Émerson Silva: “Odair, eu passo raiva contigo as vezes, mas confio no teu trabalho”

Foto: Divulgação 


Uma coisa precisa ser dita: voltamos a ter alma! Na reta final do campeonato brasileiro do ano passado, nosso técnico humildemente preteriu a seguinte frase: “o que posso prometer é que meus jogadores sempre correrão pelo Inter, pelo torcedor, por mim”. O que parecia apenas mais uma frase clichê de alguém que está começando, hoje, um ano depois, vemos que foi profetizado.



Odair, que já está no Inter há 511 dias (1 ano, 4 meses e 24 dias), é o técnico que mais tempo está no clube desde Muricy Ramalho entre as temporadas de 2004 e 2005 (529 dias). Ainda este ano, poderá igualar Rubens Minelli (1974-1976) em tempo de serviços prestados. Além disso, do modelo recente de pontos corridos, Odair é o treinador que comandou a maior campanha até então na história do Inter: 69 pontos. Mas pergunto, qual é o motivo de voltarmos a confiar nesse time? A resposta, novamente remete ao Odair: ele conseguiu passar ao vestiário sua simpatia, humildade e a paixão pelo Inter. E fez isso dando oportunidade a jogadores que estavam sendo preteridos por comandantes passados. 


Nico López é um desses jogadores. Cito alguns jogadores que tiveram preferência e estavam sempre a frente do Nico: Roberson, Carlos, Ariel, Aylon, Cirino, Rossi, Lucca, Roger, Marcinho (esses 4 últimos já no comando do próprio Odair). Mas qual o dedo do Odair sobre a escolha do Nico? A resposta se dá na aposta, na confiança, e num preparo diferenciado ao jogador, que não estava acostumado com a característica do futebol brasileiro. Em resumo, Odair acreditou no Nico, e o Nico acreditou no Odair. 


Até o ano passado, considerava o resultado como mais importante do que qualquer coisa. Em 2016 e 2017, anos que todos colorados queremos esquecer, tivemos jogos a qual fomos melhores que o adversário, entretanto, o resultado não veio. É por isso que em primeiro momento, o resultado era mais importante que um bom futebol. E Odair sabiamente soube identificar isso. E usou a temporada passada para comprovar a grandeza do Inter na elite do futebol brasileiro. Todos diziam “é um ano de reestruturar, de comprovar esse time na série A”. Passada essa primeira etapa, após uma excelente campanha no nacional (que até o final teve chances de sagrar-se campeão), o discurso no final do ano era outro: “precisamos voltar as conquistas”. Mesmo incrédulo, e de certa forma um pouco cético com o início da temporada de 2019, estou começando a entender meu treinador, apesar de certo “bruxismo”. E é essa afeição por alguns jogadores contestados pela torcida que tornam o Odair um criticado, entretanto, respeitado. Os resultados e o futebol estão aparecendo, e é isso que importa para um treinador.


Um amigo meu, em um dos grupos de conversas, mandou a seguinte frase: “O Pottker é um mal necessário”. E é por isso que passo raiva com nosso treinador. O fato, é que creio que as vezes o Odair pensa a mesma coisa que esse meu amigo. Mas ele não pensa isso apenas do Pottker. Ele pensa isso de todos seus jogadores que a torcida contesta. E isso porque, o nosso treinador, que não é nada arrogante e possui uma humildade incontestável, acredita nos seus jogadores. 


É esse o motivo, que torna o nosso amado Internacional, um franco favorito para a temporada que está se iniciando. A classificação antecipada para as oitavas de final da Copa Libertadores mostrou isso. Voltar a disputar uma final de campeonato (mesmo sendo o regional) também. Mas apenas isto não basta. Podemos mais. O único alento que coloco, é algo que o Odair e o Inter já sabem: devemos parar de tomar gols após abrirmos uma boa vantagem na partida. Se O Odair ajustar isso, e se o nosso time continuar nessa pegada, teremos um ano feliz.


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